FHC admite mudanças no PPA
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o Congresso, ao assumir a responsabilidade de definir as prioridades nos investimentos do orçamento da União, assume o papel que cabe à casa em qualquer país democrático do mundo. A decisão mais importante de um Congresso é a alocação de recursos nas várias regiões, entre as pessoas, entre as obras, disse durante encontro com os gerentes dos 365 programas do Avança Brasil. A responsabilidade pública daqueles que vão executar o orçamento é de cumprir a decisão do Congresso e a decisão do País.
Segundo FHC, a nova forma de elaboração do orçamento dá aos parlamentares a noção de que o governo não inventa dinheiro. Quando inventa, ele (o governo) mente, faz um imposto sobre os pobres que se chama inflação.
Segundo o presidente, o governo propôs a alocação de recursos no Plano Plurianual para os anos 2000 a 2003, batizado de Avança Brasil, mas os parlamentares poderão alterá-la se acharem necessário. O governo não tem de dizer: tem que ser como eu quero, disse o presidente. Tem que ser como nós queremos, vamos discutir. Para Fernando Henrique, a nova maneira de elaborar o orçamento com recursos atados a programas específicos permite um maior controle por parte da sociedade, dos parlamentares e da própria imprensa.
Quando estiver errado, vão reclamar e têm que reclamar mesmo, disse. Vão estar dotados de instrumentos para verificar, se, efetivamente, os recursos estão sendo aplicados da maneira que devem ser aplicados. Segundo o presidente, esta nova metodologia dá ao Congresso o poder de ser parte integrante do processo decisório das ações do governo.
FHC afirmou que as metas do Avança Brasil são mais ambiciosas que as do programa Brasil em Ação e implicam em cooperação da sociedade e dos Estados e municípios. No Avança Brasil, os programas cruzam vários ministérios, disse o presidente, e por essa razão a necessidade de um gerente. As indicações são técnicas, aqui não há indicação política de nenhuma espécie. O presidente negou que as alterações signifiquem a diminuição do Estado e criticou os que acusam seu governo de neoliberal.
Num País como o Brasil temos que ter um Estado atuante, não um Estado parasita, não um Estado que suga dinheiro da sociedade. Precisamos de um Estado empreendedor, também, e que ajude a sociedade a avançar. Para o presidente o Avança Brasil, que envolve recursos públicos e privados num total de R$ 1,1 trilhão, traz um planejamento atualizado e não impositivo. Eu acredito que isso é um planejamento democrático e que isso é função do Estado.





