FHC admite abalo e tenta reverter crise
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Carmen Kozak Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso tem dito aos aliados, nas frequentes conversas dos últimos dias, que o caso Eduardo Jorge fragilizou o seu governo e o obrigará a voltar a ser refém da base de sustentação política, contrariando todos os planos estratégicos traçados para os dois últimos anos de seu segundo mandato. Ciente disso, contam interlocutores, o presidente definiu agosto como prazo limite para isolar o Palácio do Planalto do escândalo do desvio de verbas para a obra superfaturada e inacabada do TRT de São Paulo. Até lá, não quer ouvir falar em demissão do ministro do Planejamento, Martus Tavares.
Na reunião de anteontem à noite, Fernando Henrique orientou os ministros a defender o governo e determinou ao Banco Central e à Receita Federal que sejam aceleradas as liberações de todos os documentos requisitados pelo Ministério Público. Ele rejeita o afastamento de Martus Tavares até que a ameaça de uma CPI esteja completamente afastada. A dois interlocutores, Fernando Henrique admitiu que, se a crise for debelada e Martus Tavares quiser deixar o governo, poderá fazer mudanças pontuais na equipe antes das eleições de outubro para atender a base de sustentação política.
Até Eduardo Jorge revelar seus contatos com o juiz Nicolau dos Santos Neto, Fernando Henrique planejava uma reforma ministerial só em 2001. Ele pretendia montar a equipe que permitiria a ele aproveitar-se da retomada do crescimento econômico para influir na sua sucessão em 2002.
Ontem, mais uma vez, o presidente dedicou o dia a conversas com ministros e dirigentes do PSDB, do PMDB e do PFL. Pediu a alguns que fiquem de prontidão para qualquer eventualidade. A maior preocupação de Fernando Henrique, contam os políticos, tem sido com os indicadores econômicos. Não podemos deixar que coloquem em risco a estabilização da economia, disse o presidente, numa dessas conversas.
O líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio (PSDB-AM), convocou entrevista coletiva para dizer que é golpismo defender a instalação de uma CPI para apurar as ligações de Eduardo Jorge com o juiz Nicolau e o desvio de dinheiro das obras do TRT. Para ele, Eduardo Jorge deve explicações, mas as investigações podem ser feitas pelo Ministério Público Federal. O líder do governo classificou como levianas as tentativas dos dirigentes do PT e do senador Pedro Simon (PMDB-RS) de tentar relacionar o caso com o ministro Martus Tavares e com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), declarou que o seu partido repudia a posição das lideranças nacionais do PT, que desejam de forma irresponsável atingir o presidente Fernando Henrique. Para Bornhausen, fica evidente que o crescimento econômico do País está atrapalhando o apetite do PT e suas lideranças estão apostando numa crise artificial e, portanto, jogando contra o Brasil. Em sintonia com a estratégia do governo, o presidente do PFL diz que a falta de espírito público das lideranças do PT evidencia, mais uma vez, o despreparo do partido para o exercício futuro do poder. (Leia mais sobre efeitos da crise no mercado, em Economia).


