O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou o ato de extinção da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) ontem para dizer, mais uma vez, que não é conivente com a prática de irregularidades em seu governo. Em uma discreta solenidade no Palácio do Planalto, ele assinou a Medida Provisória que transforma os dois órgãos em agências de fomento e aproveitou para mandar recados para seus críticos e aliados.
Ao senador Antonio Carlos Magalhães e setores da oposição, Fernando Henrique fez questão de dizer que seu governo eliminou alguns dos mais tradicionais instrumentos de corrupção e clientelismo. A Jader Barbalho e à opinião pública, o presidente avisou que não será leniente com erros pessoais e prometeu levar as apurações do caso Sudam até o final.
‘‘Eu acabei com a corrupção e com a compra que existia no Congresso através da distribuição de rádio e televisão’’, disse o presidente, frisando que também teria acabado com o clientelismo presente nas empresas estatais. ‘‘De modo que, a mim, ninguém vai dar nunca lição de corrupção nem de clientelismo’’, avisou. ‘‘Ninguém’’, frisou.
A afirmação foi uma referência velada à ACM que, durante o governo Sarney, foi o ministro das Comunicações que mais assinou concessões de rádio e televisão no País. ‘‘Não é do meu estilo estar apontando com o dedo quem é ladrão, à Polícia e à Justiça cabem fazê-lo’’, acrescentou o presidente. ‘‘Mas é do meu dever fazer o que fiz, mudei a estrutura do estado brasileiro’’.
FHC também cobrou do Congresso uma ação enérgica contra o órgãos que têm sido qualificados como focos de corrupção. ‘‘Eu tentei acabar com o DNOCS uma certa vez, por Medida Provisória, mas o Congresso repôs o DNOCS tal qual ele era’’, lembrou FHC, referindo-se ao Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, que no passado também foi alvo de acusações.

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