FHC abre Cimeira atacando protecionismo
Isabel Braga
Agência Estado
Na abertura da reunião de Cúpula União Européia, América Latina e Caribe, ontem no Rio, o presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou reciprocidade dos países desenvolvidos para os esforços de abertura e modernização realizados pelos países em desenvolvimento. As mesmas nações que se beneficiam da liberalização dos fluxos comerciais e financeiros não podem ignorar que o protecionismo aberto ou disfarçado, a discriminação, o unilateralismo, a voracidade especulativa dos mercados contribuem para debilitar as relações econômicas, em detrimento de todos, afirmou.
Na presença de 48 chefes de Estado, FHC voltou a cobrar um aprofundamento da discussão sobre a arquitetura financeira internacional para garantir que os fluxos de capital sejam instrumento de progresso e não foco gerador de instabilidade ou simples mecanismo de concentração de renda, como até hoje. Segundo o presidente, a busca desse objetivo requer um comprometimento sério com o sistema multilateral de comércio, cuja agenda deve refletir de maneira equilibrada os interesses e aspirações de todos os seus membros, grandes ou pequenos, ricos ou pobres.
FHC argumentou que a globalização é um processo comercial e financeiro irreversível, mas que seus efeitos positivos ou negativos dependem das ações e decisões dos governantes. A globalização deve valer para todos; não pode ser dádiva para os ricos e privação para os pobres, disse. Parece estar hoje ao nosso alcance, como nunca antes, um mundo no qual todas as energias se possam dirigir para aumentar o bem-estar e promover o desenvolvimento integral da pessoa humana.
Fernando Henrique enfatizou que a União Européia participa dessa reunião no Rio de Janeiro fortalecida pela adoção de uma moeda única e construção de uma política externa e de segurança comum aos 15 países. Esses avanços confirmam a União Européia como parceiro absolutamente indispensável, capaz de contribuir para um maior equilíbrio das relações internacionais, disse. Para o presidente, a integração internacional deve estar baseada em conceitos pautados pela inclusão dos que ainda são pobres, miseráveis e alienados da cidadania.
Ao afirmar que a América Latina tem plena condição de participar da redefinição do cenário econômico-financeiro mundial, FHC destacou a vocação democrática e pacífica da região. No terreno econômico, há muito deixamos para trás a paralisia da década perdida, afirmou.
FHC enfatizou que a década de 90 foi vitoriosa para a região: Vitórias da democracia, da estabilidade econômica, na luta contra as turbulências financeiras, contra inflação, contra o atraso, contra estruturas arcaicas que impedem a justiça e o progresso social. De acordo com FHC, falta ainda vencer a batalha do desemprego.Em discurso para 48 chefes de Estado, presidente criticou países ricos que ignoram efeitos negativos da globalização
Marie Hippenmeyer/France PresseAnfitriãoFHC discursa, ladeado pelo presidente do Paraguai, Luís Gonzales Macchi (E) e pelo premier alemão Gerhard Schroeder





