Curitiba - A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) abriu ontem o terceiro dia de discussões sobre o salário mínino regional de R$ 437 na Assembléia Legislativa. O projeto deve ser votado pelos deputados na primeira semana de maio. O presidente da entidade, Ademir Müeller, esclareceu que a Fetaep já pede o mínimo regional há quatro anos. Segundo Müeller, há cerca de 15 anos os trabalhadores rurais assalariados, que somam 420 mil no Paraná, não conseguem avanços significativos nas negociações salariais. Portanto, a categoria seria uma das que mais precisam do novo piso.
  ‘‘Os sindicatos de cerca de 200 municípios do Estado, que representam 200 mil trabalhadores, não conseguiram fazer acordo coletivo de trabalho com a classe patronal e por isso ganham o salário mínimo’’, explicou Müeller. Já os sindicatos que conseguiram fechar acordo coletivo do trabalho, informou o presidente da Fetaep, têm um piso salarial médio 15% acima do salário mínimo. Isto é, cerca de R$ 402. Então o salário mínimo regional subiria o rendimento da grande maioria dos trabalhadores. ‘‘E alguns acordos são fechados pelo salário mínimo também’’, explicou.
  ‘‘Comparativamente a outras nações, o Brasil apresenta a segunda pior distribuição de renda do planeta, onde 70% das famílias vivem com dois salários mínimos mensais e 30% dos habitantes sobrevivem abaixo da linha da pobreza. Especificamente no Paraná, a média salarial recebida pelo trabalhador rural é inferior à média dos três estados do Sul do País e o valor médio da renda obtida pelo empregador no Paraná é superior à média dos três estados do Sul’’, comparou o presidente da Fetaep.
  Para Müeller, o salário mínimo regional não deve gerar desemprego e nem informalidade. ‘‘Pelo contrário. O aumento vai beneficar a classe patronal também. Com maior poder aquisitivo o trabalhador tem mais poder de compra e o produtor produz mais’’, argumentou. Quanto à informalidade, o presidente da Fetaep explicou que o índice atual já é alto, cerca de 65% da categoria trabalha sem carteira assinada, e que o novo salário não deve mudar este quadro. ‘‘Quanto a isso é preciso uma maior fiscalização’’, ressaltou.
  O presidente da Fetaep acredita que a implantação do salário mínimo regional não vai piorar a crise que o setor rural vive hoje. ‘‘Nunca vi nenhum produtor quebrar por pagar um pouquinho a mais. Nós acreditamos que não vai haver demissões. Se acontecer, será mínimo. Mas temos que correr o risco. Esperamos que o governo federal socorra o setor. A crise não está sendo causada pelos salários’’, ponderou. ‘‘O enorme esforço para tirar o Brasil deste escândalo internacional de estar entre os países com maior concentração de renda do planeta passa, necessariamente, pela valorização do salário mínimo’’, avaliou.
  Além da Fetaep, os deputados já ouviram esta semana os argumentos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e da Força Sindical do Paraná. Na próxima segunda-feira será ouvida a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná, na terça-feira a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e na quarta-feira o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
  O presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB), usou o regimento da Casa para proibir os questionamentos dos deputados durante as palestras para que não se tornem demoradas.

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