Eleitores das mais mais diversas regiões de Londrina foram enfáticos em responder: ''Não, não estamos satisfeitos com o horário eleitoral''. De acordo com a maioria, houve um ''festival'' de promessas que dificilmente serão postas em prática. Taxista e morador do Jardim do Sol (Zona Oeste), Antonio Luiz Dias, 49 anos, daria nota 5 aos programas apresentados, em uma escala de zero a 10 estabelecida por ele.
Na opinião de Dias, o que faltam são ''propostas concretas, com cabimento''. ''Sou contra briga no horário eleitoral. Deveria ser como em um concurso: cada um faz a sua parte, sem se preocupar com o outro'', apontou. Também taxista, mas morador do Jardim Santa Mônica (Zona Norte), Luís Natal Dias, 35, acredita que o horário eleitoral deveria ser pago, não gratuito. ''Quem quer ouvir mentiras? Eu já me cansei delas'', avisou.
Do Jardim Arlindo Guazi (Zona Leste), a estudante Mileide Novelli, 26, defendeu que algumas fórmulas antigas deveriam ser substituídas para não saturar quem se propõe a apreciá-las. ''Não aguento mais ver candidato abraçando e beijando criancinha, no lugar de propostas viáveis para a cidade, e não falsas promessas'', criticou. Opinião semelhante é a do universitário Adriano Fernandes Pierote, 26, do Distrito da Warta (Zona Norte), que confessou já ter mudado o voto com base nos programas do segundo turno: ''Promessa demais acaba afastando eleitor, e candidato que as faz engana os outros e a si próprio. Tem que propor o que se está ao alcance''.
Telespectador assíduo do horário eleitoral, o motorista Lourival Marcondes, 46, dos Cinco Conjuntos (Zona Norte), da mesma forma avalia que o horário gratuito ajuda o indeciso a decidir o voto, apesar de ele próprio não estar satisfeito com o conteúdo veiculado. ''É importante que o candidato direcione as propostas aos bairros. Essa coisa de um atacar e outro se defender já enjoou'', concluiu. Vizinho do motorista, o aposentado José Fermino dos Santos, 64, disse que a falta de TV em casa não é fator limitante para acompanhar as falas dos candidatos, via rádio. Se compensa a atenção? Ele garante que não. ''Quem quer votar já está decidido, não é o horário político que vai mudar'', considera.
Microempresária do Centro e moradora do Jardim Acapulco (Zona Sul), Sueli Yamashita dos Santos, 34, fez outro tipo de avaliação: para ela, falta aos candidatos se expressarem mais ''com o coração'' e menos com discursos ''lidos mecanicamente''. ''Não me importaria até se falassem um português errado, mas que fossem mais sinceros. Para mim isso nunca mudou e, sinceramente, acho que só quem não tem acesso à informação para ainda se deixar enganar''. (J.G.)

mockup