Festa na criação da União Africana
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Diego CaÀedo <BR>Agência EFE 
Durban, África do SulDezenas de milhares de pessoas festejaram ontem, num estádio de Durban, a proclamação, por cerca de 50 líderes africanos, de uma nova organização continental, a União Africana (UA). O nascimento da UA, criada à imagem da União Européia e com o objetivo de tirar da miséria o continente mais pobre do mundo, foi realizado com o típico colorido de uma festa africana, canções e danças tradicionais, desfiles militares e esportivos, assim como numerosos e extensos discursos.
Um por um, os chefes de Estado e de Governo dos 53 Estados membros da UA foram entrando num campo de rugby do centro de Durban, cidade portuária do leste sul-africano que acolheu a primeira cúpula do novo organismo, e ficaram no palco oficial para presidir os festejos.
Os aplausos com que eram recebidos os governantes dobraram quando entraram no estádio os convidados de honra, Nelson Mandela e o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.
A UA reconhece como Estado membro a independentista República Árabe Saariana Democrática (RASD) do Saara Ocidental, proclamada pelo FP, o que impede o Marrocos de ocupar seu lugar na organização pan-africana.
Vários os oradores elogiaram o trabalho do presidente líbio, Muhammar Gadafi, que recentemente realçou sua importância com generosas doações de petróleo ao Zimbábue e o pagamento das dívidas contraídas por vários países africanos com a antiga OUA.
A mudançaSimples reestruturação da Organização da Unidade Africana (OUA) ou verdadeiro instrumento de luta contra a marginalização do continente? A União Africana (UA), que foi lançada solenemente ontem, em Durban, busca acelerar o processo de integração, um pouco à imagem da União Européia. A inspiração européia é evidente em sua ata fundacional, adotada em Lomé, em 2000, porque prevê um parlamento, uma comissão, um banco central, um fundo monetário africano, um banco africano de investimento e um tribunal de justiça. A UA estará presidida pela conferência de chefes de Estado e de Governo, seu órgão supremo.
Como a antiga Conferência de chefes de Estado da OUA, adotará um orçamento e colocará em andamento as políticas comuns. Mas, ao contrário de sua predecessora, os chefes de Estado decidirão diretamente estas políticas, quando antes só aprovavam as recomendações de seus ministros.


