Festa do PAC da Saúde vira corrente pró-CPMF
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2007
Leonencio Nossa e Tânia Monteiro<BR>Agência Estado 
Brasília - Às vésperas da votação no Senado da emenda que prorroga a CPMF até 2011, o Palácio do Planalto transformou ontem o anúncio do PAC da Saúde numa mobilização para conter a força dos opositores no debate do imposto do cheque. Defensores da manutenção do tributo, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, não compareceram. Mesmo assim, o governo comemorou. A solenidade contou com a presença de 18 ministros, 20 governadores e dezenas de parlamentares.
O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene, ligado a setores influentes da oposição, foi a estrela da festa. Criador da CPMF no governo Fernando Henrique Cardoso, Jatene chorou ao reclamar das limitações financeiras impostas pela área econômica ao setor e arrancou aplausos demorados ao acusar de sonegação os opositores do imposto.
''Os amigos do rei não gostam de pagar'', afirmou, sob delírio da platéia formada por aliados do Planalto. ''O governo fica na contingência de arrecadar muito de quem ganha pouco e arrecadar pouco de quem ganha muito.''
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou acompanhar com atenção o discurso do médico. Adib Jatene chegou a relatar que, numa conversa com Pedro Malan, então ministro da Fazenda do governo tucano, disse que a equipe econômica estava muito perto da riqueza e o pessoal da Saúde, da pobreza. ''O ministro da Fazenda quando vai a São Paulo visita a Fiesp e a Febraban, não vai para a periferia'', disse Jatene.
Daí para frente, aliados do governo fizeram discursos considerados ''alarmistas'' até por assessores do Planalto. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que a oposição está sendo ''medíocre'' em se opor à emenda da CPMF e, numa eventual derrubada do imposto no Senado, a moeda e a estabilidade econômica serão atingidas.
Como havia combinado com o Planalto, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez uma apresentação detalhada do programa chamado oficialmente de ''Mais Saúde'', que prevê investimentos de R$ 88,6 bilhões na área nos próximos quatro anos, sendo R$ 24 bilhões de recursos da CPMF. Temporão mostrou imagens de crianças, gestantes e idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde.
Durante o evento, Lula ganhou uma camisa com a inscrição ''CPMF Já'' da irmã Rita Cecília Coelho, da Santa Casa de Anápolis. Os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), também discursaram a favor do imposto do cheque.
Durante seu discurso, o presidente Lula afirmou que a CPMF beneficia as pessoas mais pobres. ''A CPMF não é para quem mora numa cobertura do Recife, mas para quem mora em Casa Amarela'', afirmou, referindo-se a um bairro pobre da capital pernambucana. Lula avaliou que setores da oposição fazem um discurso ''simplista'' quando argumentam que a prorrogação da CPMF beneficia o governo.
''Se votar contra, prejudica o governo Lula; se vai me prejudicar, então vote contra'', afirmou. ''Os senadores de todos os partidos devem fazer uma reflexão e é extremamente importante que cada governador convencesse seus senadores para fazer esta reflexão e mostrar o que representa para seus Estados a não prorrogação da CPMF''.


