Curitiba - Uma decisão tomada anteontem pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1 Região encerrou a discussão sobre quem deveria intervir na Rodovia Ferropar Paraná, segundo interpretação do diretor da Ferroeste, Samuel Gomes. Por unanimidade, o TRF confirmou a liminar que suspendia a intervenção da Ferropar pela Ferroeste, pertencente ao Governo do Paraná. Segundo Gomes, a justificativa do TRF é de que a Ferropar só poderia sofrer intervenção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O acórdão, com os termos da decisão, deve ser publicado nos próximos dias.
Conforme explicou Gomes, em maio do ano passado, ao constatar problemas operacionais e financeiros na Ferropar, que liga Guarapuava a Cascavel, o Governo enviou uma carta ao Ministério dos Transportes e à ANTT solicitando a intervenção da empresa, que obteve concessão para o uso da ferrovia no ano de 1997. A ANTT, no entanto, teria pedido que a Ferroeste fizesse a intervenção, sob pena de sanções.
A assessoria da ANTT informou que ainda não teve acesso ao teor da decisão do TRF, mas que continua seguindo o que já havia sido determinado pela liminar. Além disso, enfatizou que a função da ANTT é de regular e fiscalizar as concessionárias e que uma suposta intervenção também teria que ser feita na própria Ferroeste, única responsável por cobrar os serviços da sua subconcessionária, a Ferropar. A assessoria acrescentou ainda que a última fiscalização feita na Ferropar, no final de fevereiro, constatou que os serviços estão sendo retomados, inclusive com o atendimento ao cliente e compra de equipamentos.
Segundo Gomes, independente da decisão do TRF, o próximo passo do governo é ''agilizar o processo de falência da Ferropar e retomar a concessão''. ''Já ficou claro quem deveria intervir na empresa. A decisão do TRF é um reconhecimento da Justiça à posição do governo. Agora vamos provar que a Ferropar está falida'', disse. De acordo com ele, a Ferropar deve cerca de R$ 30 milhões à Ferroeste.
O advogado da Ferropar, Antonio Modesto, afirma que a dívida só não pôde ser paga porque o contrato de concessão estabelecido entre a Ferropar e a Ferroeste apresenta problemas. ''A origem da dívida está num contrato malfeito. Tentamos conversar com o governo sobre isso mas a intenção dele é apenas recuperar a concessão'', afirmou.
Além da dívida, o diretor da Ferroeste argumenta que até 2005 a Ferropar investiu apenas R$ 4 milhões na ferrovia, quando estava previsto no contrato a quantia de R$ 136 milhões. ''Devido ao frete rodoviário e depois à chegada do pedágio, os agricultores tiveram um prejuízo de R$ 300 milhões. Pois um milhão a mais de caminhões tiveram que ir para as estradas'', justificou. Gomes acrescentou que, até o ano passado, foram adquiridos apenas uma locomotiva e cinco vagões e que no contrato estava prevista a compra de 60 locomotivas e 732 vagões.

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