O agrado do presidente Fernando Henrique Cardoso à governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), levando-a ontem de volta a seu Estado no boeing presidencial, não foi suficiente para garantir o apoio do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), pai de Roseana, à reeleição do tucano. ‘‘O presidente não precisa do meu apoio, mas tem a minha solidariedade para enfrentar a situação internacional’’, disse Sarney no início da tarde, logo depois da decolagem do boeing presidencial que levou Fernando Henrique ao Paraguai, para a posse do presidente Raul Cubas. Fernando Henrique esteve por cerca de uma hora e meia em São Luís. Desembarcou ao lado de Roseana e participou de ato público no próprio aeroporto.
‘‘Tive, tenho e mantenho minhas divergências com suas políticas públicas, mas, diante de sua solidariedade com minha filha, eu não poderia negar minha solidariedade a ele’’, disse Sarney. Peemedebista que defendeu o lançamento do candidato próprio ao Palácio do Planalto, contra Fernando Henrique, Sarney sempre deixou claro que o presidente é quem precisa de Roseana para se reeleger no Maranhão e não o contrário. O senador cobrou o apoio do PSDB de Fernando Henrique, que se aliou no Estado ao PPB do senador candidato Epitácio Cafeteira, adversário de Roseana na briga pela reeleição.
O presidente não conseguiu reverter o apoio dos tucanos. Ontem, disse que o Brasil quer apoiar quem é bom e vai para frente. ‘‘Quem não está neste caminho, independente de quem seja, está errado’’, disse o presidente.
A Polícia Militar calculou que cerca de cinco mil pessoas foram ao aeroporto ontem, para receber a governadora. Fernando Henrique registrou a presença dos líderes mais espressivos do Estado - três ex-governadores, dois senadores e dezenas de deputados, prefeitos e vereadores - para cobrar o comparecimento de todos, inclusive de seu PSDB. ‘‘Isto aqui não é um fato apenas político, mas sentimental, de uma governadora que teve problema de saúde, venceu esse problema e está de volta para servir sua terra’’, disse o presidente.
A governadora demonstrava boa disposição sob o sol forte. ‘‘Passei momentos muito difíceis e, em minhas orações, pensei no poeta Gonçalves Dias, com seus versos que dizem não permita, Deus, que eu morra, sem que eu volte para lᒒ, disse Roseana sob os aplausos do povo que agitava bandeirolas da sua campanha e também da reeleição de Fernando Henrique.
No curto discurso, Roseana Sarney agradeceu a Fernando Henrique. ‘‘O presidente teve esse gesto de carinho comigo e com o povo do Maranhão, porque é um prestígio para o Maranhão o presidente trazer sua governadora de volta à terra.’’ Diferente do pai, a governadora pefelista sempre apoiou publicamente a reeleição de Fernando Henrique. ‘‘Fique certo, presidente, que a Roseana amiga, a Roseana governadora e a Roseana candidata estará com o senhor, construindo um Brasil melhor.’’ Fernando Henrique retribuiu, salientando que o povo vai aprovar a reeleição no Estado, para não perder ‘‘essa marca de renovação no Brasil’’.
Ao ex-presidente José Sarney, que também pegou carona no boeing presidencial, Fernando Henrique reservou apenas uma citação, pelo apoio dele e do senador Edison Lobão (PFL-MA) aos projetos do governo no Congresso. Os elogios foram todos para a governadora: ‘‘Roseana é a primeira mulher eleita para comandar um Estado e será a primeira governadora reeleita no Brasil!’’, disse no discurso.

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