São Paulo - O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou ontem que o objetivo da ''Lei da Mordaça'', que proíbe membros do Ministério Público, magistrados e autoridades policiais de divulgar dados sobre os processos em andamento, não é impedir a investigação de fatos.
''Fizeram um enorme escarcéu por causa disso, como se fosse para impedir a investigação. Não é. É para impedir a divulgação prematura de fatos não apurados'', afirmou o presidente.
Ele rejeitou ainda o termo ''foro privilegiado'' para o projeto que está no Congresso e que centraliza os processos contra autoridades e ex-autoridades no Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça.
Para ele, um dos possíveis beneficiados com a aprovação do projeto, a expressão ideal para a proposta seria ''foro adequado''. No início da noite de ontem, Fernando Henrique, acompanhado do senador José Serra (PSDB) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), participou, no Palácio dos Bandeirantes, de uma homenagem a Mário Covas, morto no ano passado.
Abaixo, os tópicos da entrevista concedida pelo presidente ontem à tarde, em São Paulo.
Crise financeira - ''Nós temos capacidade suficiente no Brasil para reagir. O controle à inflação deve ser permanente, como em qualquer país do mundo, e eu não acho particularmente perigoso o Brasil. É geral. O mundo é um mundo turbulento, e os chamados emergentes sofrem as consequências dessa turbulência financeira. Mas acredito que tenhamos condições institucionais e capacidade de reagir.''
''Lei da Mordaça'' - ''Fizeram um enorme escarcéu por causa disso, como se fosse para impedir a investigação. Não é. É para impedir a divulgação prematura de fatos não apurados.
Isso é matéria que a sociedade brasileira, democraticamente, tem que ver o que é justo e o que não é, se pode ou se não pode, que abusos podem ser contidos. Eu não ajudaria a limitar o papel dos procuradores, mas alguns, infelizmente, têm usado suas prerrogativas para passar informações que ainda não são confirmadas.''
Foro Privilegiado - ''O que o Congresso decidir, está decidido. Eu não gosto dessa expressão, de foro privilegiado, tem de ser adequado. O que for correto, que seja. Eu não tenho preocupação com isso.''

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