Fernando Baiano fecha acordo de delação com o MPF
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Agora está confirmado. O empresário e lobista Fernando Soares, conhecido como "Baiano" e apontado como um dos operadores mais efetivos dentro do esquema de corrupção e desvio de dinheiro da Petrobras, fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF). A confirmação foi feita ontem, depois de algumas semanas de negociação.
A delação foi firmada com a Procuradoria Geral da República (PGR) porque o investigado deve fornecer informações sobre a participação de políticos com foro privilegiado. Um dos fatores que pesaram na decisão de Baiano procurar os procuradores para negociação sua colaboração foi sua condenação em um dos processos da Lava Jato.
O operador do PMDB foi condenado a 16 anos e um mês de prisão em sentença já proferida no processo em que é acusado de ser o responsável pelo pagamento de propinas ao ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Conforme a acusação, Baiano intermediou propina de US$ 40 milhões na compra de duas sondas da coreana Samsung, nos anos de 2006 e 2007, no valor de US$ 1,2 bilhão. O negócio também teve como intermediário e consulto Júlio Camargo, que se tornou um dos delatores.
Baiano estava preso no Complexo Médico-Penal (CMP) desde março e retornou na quarta-feira para a carceragem da Polícia Federal (PF), e já iniciou os primeiros depoimentos previstos dentro da delação. O lobista foi citado pelo delator Julio Camargo como "sócio oculto" do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teria recebido US$ 10 milhões em propinas pelos contratos fechados para aquisição de dois navios-sonda. Deste total, US$ 5 milhões teriam ido para Cunha.
A previsão é de que Baiano continue preso na PF enquanto durar os depoimentos. Além da ação penal que já teve a sentença proferida, ele também responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção no processo em que também são réus o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e outros executivos da empresa.
A expectativa dos investigadores é de que o acordo de Baiano possa alavancar a colaboração do ex-diretor Nestor Cerveró, que até tentou uma negociação com os procuradores, mas que não avançou. O advogado que esteve à frente das negociações com o MPF é Sérgio Riera, que assumiu a defesa do operador no lugar de Nélio Machado.


