Brasília - Apesar dos apelos e ameaças de corte de salário, o Congresso não votou nenhuma matéria nesta semana e tanto a Câmara quanto o Senado permanecem com as suas pautas trancadas por medidas provisórias. O feriado de Tiradentes esvaziou o Legislativo. Na Câmara, o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), chegou a ameaçar os deputados faltosos com o corte de remuneração. Na segunda-feira, 257 faltaram, e 302 na terça. Por conta da debandada, não houve votações e a pauta da Casa continua trancada por oito MPs. Ontem, o esvaziamento no plenário foi ainda maior. Enquanto apenas 35 deputados registraram presença na Casa, uns poucos compareceram à sessão marcada para o período da manhã.
A sessão que homenageou a campanha ''Por uma educação básica de qualidade para todos - Todos merecem as mesmas oportunidades'', da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), teve apenas a participação de quatro congressistas: o presidente da Comissão de Educação da Câmara, Carlos Abicalil (PT-MT); o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), que sugeriu a sessão solene; o vice-líder do PFL, Pauderney Avelino (AM); e o senador Cristovam Buarque (PT-DF), ex-ministro da Educação. Os deputados faltosos poderão ter dois dias cortados do salário de R$ 17.720, a não ser que apresentem uma justificativa pela ausência até o dia 10 de maio.
A semana no Senado também foi pouco produtiva. Não houve votações na segunda e na terça e o plenário continua com a pauta obstruída por quatro MPs. Ontem, apenas 14 dos 81 senadores estavam inscritos para a sessão marcada para as 14h30. Como o feriado da Semana Santa também ocorreu em abril, entre os dias 8 e 11, o Congresso perdeu duas semanas de trabalho em apenas um mês. Desde 1º de março, quando os trabalhos foram reiniciados após o Carnaval, que deputados e senadores praticamente só votam para destrancar as pautas das duas Casas.
As dificuldades para viabilizar as votações no Congresso tendem a piorar no segundo semestre, quando boa parte dos deputados e senadores iniciam articulações para as eleições municipais. De acordo com levantamento dos partidos políticos, pelos menos 132 dos 594 congressistas deverão disputar o pleito em 3 de outubro.

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