Feriadão no Congresso custa R$ 280 mi aos cofres públicos
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Gabriela Guerreiro e Márcio Falcão<br> Folhapress 
Brasília - Deputados e senadores decidiram esticar o feriado de Carnaval e terão 11 dias de folga, sem nenhum trabalho legislativo e também sem desconto nos contracheques. Desde o último dia 11, Câmara e Senado não realizam votações. Os congressistas são obrigados a comparecer às sessões apenas quando elas são deliberativas, o que na prática libera todos os 594 deputados e senadores a só retornarem às suas atividades na terça-feira, quando o Congresso volta a funcionar. Nos dias em que não há votações, também não há cortes nos salários, nem as faltas são contabilizadas pelas duas Casas. De acordo com a Associação Contas Abertas, os 11 dias de feriadão vão custar cerca de R$ 279,1 milhões aos cofres públicos.
O Congresso ficou praticamente vazio ontem, quando apenas o Senado realizou sessão exclusiva para discursos. Foram quase três horas de debates, com falas de 10 dos 81 senadores se revezando na tribuna. A Câmara não teve atividades. O mesmo cenário foi o mesmo na Quarta-feira de Cinzas, quando apenas os senadores passaram a tarde discursando.
Desde que os senadores tomaram posse em seus mandatos, no dia 1º de fevereiro, o Senado votou apenas um projeto que autoriza acordo entre o governo do Brasil e a Organização Internacional para as Migrações. Nenhuma matéria relevante entrou na pauta e as comissões permanentes da Casa não reiniciaram as atividades em 2015.
A expectativa é que os senadores definam as presidências das comissões na semana que vem, depois do feriadão. Até lá, as atividades da Casa seguem restritas aos discursos de plenário.
Para garantir a folga ampliada, os líderes da Câmara fecharam um acordo e chegaram a antecipar as votações, realizando três sessões na semana passada, impondo derrotas ao Planalto na análise de matérias incômodas. Antes do embarque, as sessões registraram quórum alto na Câmara, inclusive, na segunda-feira (dia 9), com presença de 464 deputados.
O recesso ampliado de Carnaval é tradição no Congresso, sendo que muitos aproveitam para fazer viagens internacionais, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que está com a família na Europa, e o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE).


