Fera cria disque-denúncia para tráfico
Luciana Pombo
De Curitiba
O Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera) do Paraná já conta com um telefone especial para o recebimento de chamadas e denúncias que possam auxiliar no trabalho de investigação da ramificação do narcotráfico no Estado. O disque-denúncia (0xx41-342-3860) irá operar diariamente, durante 24 horas. Todos os telefonemas e denúncias serão anotados e compilados. Os denunciantes não precisarão ser identificados. Queremos dar agilidade às investigações, declarou Adauto de Oliveira, titular do Grupo Fera.
Anteontem, Oliveira esteve em Brasília para trocar informações com os deputados federais que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o narcotráfico no País. Ele foi acompanhado do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT), presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Assembléia Legislativa e da delegada Leila Bertolini, também do Grupo Fera. Leila é mulher do delegado. Entregamos documentos e trocamos informações. Tenho muito mais trabalho a partir de agora, declarou.
As principais informações trazidas para o Paraná e que estão sendo mantidas em sigilo dão conta de nomes de testemunhas que serão fundamentais para que a Polícia Civil possa encontrar provas contra possíveis líderes de quadrilhas que atuam no Estado. Com os dados colhidos, iremos provar que o Paraná não é o mar de rosas que aparentava ser. A CPI tem milhares de denúncias sobre o narcotráfico envolvendo o Estado, contou.
Os deputados federais garantiram que estarão no Paraná para colher depoimentos e fazer investigações sobre a rota do tráfico no Estado na segunda quinzena de fevereiro. A informação foi confirmada anteontem pelo deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT). Ele é membro suplente da CPI e disse que a Comissão, que não paralisou os trabalhos durante os recesso parlamentar, mas não visitou nenhum Estado desde o início do ano, vai retomar as investigações nos Estados pelo Paraná e Alagoas. Serão os primeiros passos da CPI, afirmou Padre Roque.
Durante a vinda ao Estado, os delegados Adauto e Leila serão ouvidos e darão informações sobre a participação de policiais civis no esquema do tráfico no Paraná. Os nomes das outras pessoas que serão chamadas para prestar depoimento estão sendo mantidos em sigilo pela CPI. O trabalho das comissões de Brasília e do Paraná vai ser fundamental para que possamos atuar com rigor. As comissões de inquérito terão poder de polícia e poderão solicitar a quebra de sigilo telefônico e bancário quando for necessário, alegou.
O Grupo Fera conta com 21 policiais (sendo três deles delegados e três escrivães) e três viaturas policiais. Outros dois veículos foram doados por conselhos comunitários de Segurança e serão utilizados no combate ao narcotráfico.





