Fenaj quer alterar projeto
Pedro Livoratti
De Londrina
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pretende contatar parlamentares, já a partir da próxima semana, para negociar alterações no projeto de lei aprovado anteontem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), que coíbe a divulgação de processos em andamento. A entidade acredita que existe possibilidade de negociação com os parlamentares, já que a medida uma iniciativa do executivo é polêmica e esbarra nos princípios democráticos.
Acreditamos que deve haver mecanismos para conter os abusos, mas somos contrários a qualquer tipo de censura, informou ontem à tarde, por telefone, a presidente da Fenaj, Elisabete Costa. A jornalista explicou que a preocupação da Federação é com a violação do direito da sociedade ser informada, um princípio democrático e reconhecido pelos organismos internacionais.
Há denúncias que precisam de amplificação, afirmou Elisabete. Ela citou como exemplo as informações dadas por veículos de comunicação a cerca dos detalhes das atrocidades cometidas pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal. Segundo ela, a divulgação das informações foram fundamentais para a punição do deputado, que foi cassado, está preso e responde a inúmeros processos criminais.
A presidente da Federação dos Jornalistas afirma, entretanto, que a entidade também é favorável a mecanismos para conter abusos de meios de comunicação. Defendemos liberdade com responsabilidade. Os limites estão previstos na própria Constituição Federal, afirmou. Ela propõe que o debate seja direcionado à formulação de mecanismos eficientes para coibir abusos, ao invés de implantar uma censura a informações. A proposta aprovada anteontem pela CCJ, afirmou ela, pode inclusive prejudicar o andamento de comissões de investigações, já que várias denúncias estão sendo apuradas paralelamente pela imprensa.
Ainda de acordo com a presidente da Fenaj, a entidade defende um modelo de Lei de Imprensa, que trata, entre outros itens, da responsabilidade sobre a informação. Nossa proposta prevê uma relação mais democrática dos meios com a sociedade e isto inclui coibir os abusos, afirmou.





