Feminicídio, epidemia
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Feminicídio, epidemia
Surpreende a frequência da violência contra a mulher no Paraná: dá a impressão até que passaram a fazer estatísticas agora e em função de fatos como a Lei Maria da Penha, a criação na capital da "Casa da Mulher Brasileira" e o debate das demandas da área em função do noticiário e das intervenções doutrinárias e educativas. Urge medidas concretas como o melhor aparelhamento das delegacias da mulher e também o aprimoramento da prestação jurisdicional.
Dá impressão de epidemia, mas os mais alarmados com a persistência desse tipo de cultura já a enxergam como pandemia, um exagero com fins pedagógicos.
O Ministério Público em todo o ano de 2018 registrou 131 denúncias e neste início de ano tivemos três assassinatos consumados e episódios menores como agressão de mulher por ex-namorado em farmácia em Paranaguá, com intervenção policial civil e militar, fato esse registrado pelas câmeras do local.
Decreto das armas
A posse das armas e escola sem partido, destaques da pauta bolsonarista, são rejeitadas pela maioria das pessoas, conforme frisou o Datafolha. O primeiro item fazia parte do gestual de campanha do presidente que na terça-feira (15) baixou o decreto a respeito, cercado de muitas cautelas, o que não impediu manifestação adversa de organizações sociais.
O Brasil há menos de duas décadas produziu referendo a respeito contrariando esse alinhamento de forma indiscutível, massacrante mesmo, a despeito do tom pesado da campanha pró armamento pela televisão.
Mobilidade
Estudos na França, especialmente em sua capital, de fazer o transporte de massa da população pelo metrô e sistemas subsidiários gratuitamente em nada melhoraria a questão da mobilidade, pois não haveria redução de veículos nas ruas. Na Europa, de um modo geral, os sistemas têm subsídio em orçamentos públicos de 40 a 60% dos seus custos.
Aqui a questão foi minorada com o vale-transporte, iniciativa do ministro da terra, Affonso Camargo, cuja abrangência alcança trabalhadores formais, deixando boa parte deles, informais, sem cobertura.
Neste momento, Londrina tenta fazer a sua licitação do sistema e em Curitiba há ameaça de elevação da tarifa com o novo contrato coletivo de trabalho, no qual as empresas tentam retardar a supressão dos cobradores para evitar greve e maior dificuldade no andamento das negociações.
No Brasil, há resistência à política de subsídios como fatores de desorganização fiscal incontornável. Caminhamos para um colapso nos sistemas sabidamente arcaicos e deficientes.
As vendas
De janeiro a novembro houve aumento de vendas de 6,56% no Paraná, segundo pesquisa da Fecomércio, e a perspectiva é de que tenhamos neste ano retomada de ritmo depois dos anos de queda de 2015 (-8,79%) e 2016 (-3,08%) no furor da recessão. Há um clima de otimismo, visível na Bolsa e nas melhoras pontuais do mercado de trabalho e muita esperança com a possibilidade de incremento, já bem sinalizado nas atividades da construção civil, altamente empregadora.
A aposta no consumo depende da retomada do trabalho com carteira assinada, já que isso não se dá integralmente com o trabalhador alternativo, relação precarizada.
Uma curiosidade da amostragem da Fecomércio: o oeste cresceu 13.77%, o pico de todo Paraná, e Londrina figurou em segundo lugar, com 11.66%.
Militares
Nunca tivemos como tantos militares em funções estratégicas como agora. É uma forte compensação para o preconceito erigido em sistema contra a categoria por força dos resíduos do regime fardado. Antes tínhamos a tradição eventual de militares em funções civis como Ney Braga e Iberê de Mattos, ambos eleitos prefeito da capital, depois de passarem respectivamente pela Chefia de Polícia e administração da Rede Viação Paraná-Santa Catarina. Michel Temer fez a convocação dos militares no Rio que não foi totalmente frutuosa naquele conturbado processo de intervenção. Se o governo acertar, os militares terão grande parte dos méritos, o que não será tão frutuoso se não emplacar.
Ataques
Nas praias do Paraná as águas vivas voltam a atacar banhistas. Até agora tivemos 905 ocorrências, algumas, as mais urticantes, de caravelas portuguesas.
Folclore
Ao renunciar à presidência da República, Jânio da Silva Quadros, atribuiu o fato ao que ele chamou de "forças ocultas". Tentou-se à época lançar uma pinga com esse nome.


