Brasília - Uma das lideranças da bancada evangélica no Congresso, o deputado Takayama (PSC-PR) afirmou ontem que a pressão pela saída do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pastor Marco Feliciano (PSC-SP), demonstra preconceito contra religiosos. A declaração foi feita durante uma sessão, no plenário da Câmara, em homenagem à Igreja Assembleia de Deus. Desde que assumiu a comissão do mês passado, o deputado é alvo de protestos que pedem sua saída do cargo por declarações consideradas racistas e homofóbicas por movimentos sociais.
Takayama também mandou um recado para o comando da Câmara e os líderes partidários que se reúnem hoje com Feliciano para discutir a sua situação na presidência. ''Se deixar prevalecer meia dúzia de ativistas porque não têm visão igual a nossa, podemos colocar dois, três quatro milhões de cristãos na porta dessa Casa'', disse o deputado.
Em outro recado aos colegas, o deputado afirmou que as manifestações contra Feliciano abrem precedentes perigosos na Câmara. ''Isso também pode ocorrer amanhã em setor que não seja cristão e vocês terão dificuldade de colocar seus representantes.'' O deputado cobrou coerência dos líderes da Câmara. ''Nós nunca nos opusemos aos simpatizantes da homossexualidade ou de qualquer outra visão estar ocupando a presidência de comissões, mas quando temos a oportunidade de colocar um presidente em uma comissão, querer dizer que não podemos? Vale a pena a reflexão sobre toda essa situação'', disse. Ele afirmou que os evangélicos não são homofóbicos. ''Se querem colocar essa pecha, não vão nos colocar. Não amamos a prática.''

John Lennon
Em meio aos debates sobre a permanência do deputado Feliciano, começa a repercutir na internet vídeos em que o pastor ''justifica'' a morte de artistas, como John Lennon e dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. ''Ninguém afronta Deus e sobrevive pra debochar!'', disse Feliciano sobre o ex-integrante dos Beatles, morto a tiros em 1980.
Os vídeos foram postados no domingo último, mas as imagens de um culto religioso são mais antigas. Não é possível identificar a data da gravação. Durante sua fala, o pastor lembrou a polêmica frase de Lennon, dita na década de 1960 em uma entrevista, de que a banda era mais famosa que Jesus Cristo. ''Passou algum tempo depois dessa declaração, está ele (John Lennon) dentro do apartamento, quando abre a porta e escuta alguém chamar pelo nome. Ele vira e é alvejado com 3 tiros no peito'', disse Feliciano. A reportagem tentou sem sucesso contato com o gabinete e com a assessoria do deputado para comentar as imagens.
Em outro vídeo, provavelmente no mesmo culto, Feliciano também relaciona a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas à vontade divina. A banda, que morreu num acidente aéreo em 1996, ficou conhecida por letras cômicas. O conteúdo das músicas, para o pastor, era inadequado.

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