Federal tenta apreender fita do PMDB
A Polícia Federal deve tentar cumprir hoje o mandado de busca e apreensão, no diretório regional do PMDB, da fita de vídeo que mostra a cúpula do governo do Paraná participando da festa de casamento da filha do governador Jaime Lerner (PFL), Andréa Lerner, em Nova York. As imagens foram usadas no programa eleitoral do PMDB no dia 19 de junho. Na última sexta-feira, a mulher do secretário estadual da Fazenda Giovani Gionédis, Luíze Gionédis, entrou com uma medida judicial contra o candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB, Maurício Requião, e o diretório regional do partido por uso indevido da imagem. Maurício Requião considerou a medida autoritária e disse que a intenção do PMDB era mostrar a ostentação de quem enriqueceu muito depressa.
No sábado à noite, a Polícia Federal foi até o diretório regional do PMDB, em Curitiba, mas não conseguiu cumprir o mandado porque a sede estava fechada. Informações não confirmadas pelo TRE davam conta de que a Polícia Federal também teria ido até a residência do candidato Maurício Requião, mas não havia ninguém em casa. O mandado foi expedido pela juíza Lenice Bodstein, da 2ª Zona Eleitoral, responsável pela propaganda eleitoral em rádios, TVs e jornais.
A fita de vídeo exibida no programa do PMDB mostrava cenas da festa de casamento de Andréa com Sebastian Bremmer, que aconteceu em junho do ano passado em Nova York. Nas imagens apareciam vários secretários de Estado comemorando (entre eles Giovani Gionédis ao lado de sua mulher), o governador Jaime Lerner sambando, o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi e a primeira-dama Marina cantando New York, New York, no coro puxado pelo chefe do cerimonial do Palácio Iguaçu, Eduardo Guimarães.
Maurício Requião disse que os integrantes do governo deveriam saber que a dimensão da vida privada se estreita ao participarem de cargos públicos. Segundo ele, o PMDB optou pelo uso das imagens para mostrar ao povo a ostentação vulgar dos novos ricos que só pensam em aparências, para mostrar quem eles são. O candidato informou que a Polícia Federal não encontrará a fita em sua residência nem no diretório do partido. Talvez na produtora que fez o programa eleitoral ou com alguém do próprio governo. Foram eles que gravaram aquelas imagens, ironizou.
Dando o tom de como será a campanha, Maurício disse que a Polícia Federal está tão empenhada em cumprir o mandado de busca e apreensão da fita, quanto em encobrir autoridades envolvidas com o tráfico de drogas. Que cumpram e que a imprensa venha junto. Aqui só tenho fitas de aniversário dos meus filhos e não tenho nada a esconder. A Folha tentou contato com Luíze Gionédis, mas ela estava viajando ontem. O secretário também não foi localizado.
Esta foi a segunda medida judicial desfavorável ao PMDB no caso. A primeira foi uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 29 de junho, proibindo o uso da fita em programas eleitorais, a pedido do PFL do Paraná.





