A Polícia Federal de Florianópolis prendeu o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, anteontem, em um hotel na Ilha de Santa Catarina, depois de receber informações sobre a presença dele na cidade. Paolicchi estava com a prisão preventiva decretada e foragido desde o dia 7 de outubro e foi transferido ontem para Maringá, onde responde pelo desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura. Mais magro, o ex-secretário desembarcou no novo aeroporto da cidade às 16h45 usando uma roupa surrada, algemado, de boné, óculos escuros e usando um colete à prova de balas.
Junto com Paolicchi, a Polícia apreendeu US$ 54 mil, R$ 34,7 mil, três telefones celulares, dois passaportes (um brasileiro e um italiano), documentos de venda de uma aeronave que a Polícia não informou se é do Lear Jet cuja propriedade é atribuída a ele, uma caneta Mont Blanc, um relógio Rolex e cópias de cheques e comprovantes de depósito bancário em nome de diversas pessoas.
A camioneta Cherockee preta de Paolicchi, placa BBC 0102, ficou apreendida em Florianópolis. Ontem, o veículo estava sendo desmontado pela polícia para a localização de ‘‘possíveis compartimentos secretos’’.
Durante o depoimento logo após a prisão, que durou cerca de sete horas e terminou às 3 horas de ontem, Paolicchi declinou o nome de várias pessoas de Maringá, que seriam beneficiadas com dinheiro desviado da prefeitura. A Polícia e membros do Judiciário que tiveram acesso ao depoimento não quiseram revelar nenhum dos nomes citados pelo ex-secretário. ‘‘São pessoas influentes e de peso na sociedade maringaense’’, disse uma fonte da Folha.
Paolicchi estava hospedado no Hotel Samuca, um 2 estrelas na Lagoa da Conceição, área nobre da capital catarinense, junto com dois assessores, Antônio Aldamir de Souza e Gilson Kretzer. Os dois têm residência fixa em Florianópolis e trabalham com o ex-secretário desde 1993.
Segundo funcionários do hotel, os três estavam hospedados em dois quartos desde o último domingo. O hotel é de categoria ‘‘econômico’’, tem 44 apartamentos e as diárias variam de R$ 70,00 a R$ 160,00.
Informações de funcionários do hotel são de que Paolicchi e os acompanhantes tentaram se hospedar inicialmente no Resort Costão do Santinho. Sem sucesso também em outros hotéis de lazer, o grupo optou pelo Hotal Samuca. ‘‘Eles se comportavam como hóspedes comuns, de dia conhecendo as praias e de noite restaurantes. Não chegaram a cometer extravagências’’, disse um dos funcionários, que pediu para não ser identificado.
O superintendente da PF em Santa Catarina, Aroldo Boschetti Soster, disse que a presença de Paolicchi na cidade foi passada pela Polícia do Paraná. ‘‘Sabíamos que ele estava na ilha e investigamos algumas ligações antes de efetuar a prisão’’, explicou. Soster adiantou que apesar do depoimento ter sido demorado, Paolicchi disse que muitas informações irá passar apenas à Justiça. Ele responde por crime de improbidade administrativa na Justiça comum e por peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e sonegação na Justiça Federal.
Segundo o delegado regional da PF em Florianópolis, Roberto Schweitzer, Paolicchi revelou que estava na Itália no início de outubro, quando foi denunciado no primeiro processo pelo Ministério Público estadual (MPE). Ele voltou ao Brasil no dia 25 de outubro, entrando sem problemas pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, apesar de estar com a prisão preventiva decretada e foragido. ‘‘Como brasileiro ele tem o direito de entrar no País a qualquer momento’’, alegou.
Depois de ficar alguns dias em São Paulo, Paolicchi disse no depoimento que passou pelo Rio de Janeiro e várias outras cidades. ‘‘Ele não precisou se esteve na região de Maringá, mas garantiu que não parava por muito tempo em um só local’’, revelou Schweitzer. O delegado substituto da Polícia Federal de Maringá, Ronaldo Carrer, que coordenou a recepção de Paolicchi no município, disse que a PF teve informações há cerca de 15 dias que o ex-secretário estava em Florianópolis.
‘‘Mandamos fotos e cópia do mandado de prisão para a superintendência de Santa Catarina’’, revelou. Questionado sobre o fato da PF de Maringá não ter prendido Paolicchi, Carrer alegou que ‘‘a Polícia é uma só família’’. ‘‘Quem prendeu foi o Departamento da Polícia Federal’’, alegou. A chegada de Paolicchi mobilizou 12 agentes e três viaturas da PF, além de duas equipes do Tático Móvel e pelo menos mais 20 policiais militares. (Colaborou Marco Antônio Zanfra, especial para a Folha, de Florianópolis)

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