A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, em Altamira (Oeste do Pará), o empresário José Soares Sobrinho, um dos principais aliados políticos do presidente licenciado do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA) na região. O empresário, segundo a PF, coagia testemunhas a não prestarem depoimentos sobre as fraudes em financiamentos da extinta Sudam.

Soares Sobrinho e os dois irmãos, Romildo Onofre e Sebastião, dominam em torno de nove projetos da Sudam e receberam aproximadamente R$ 30 milhões. Ele foi coordenador da campanha do PMDB em Altamira. A prisão do empresário é mais um duro golpe no esquema político da região da Transamazônica, quase todo dominado pelo partido.

Tanto a PF quanto o Ministério Público Federal (MPF) suspeitam que Soares Sobrinho era o coordenador da caixinha de campanha que recebia dinheiro de financiamentos da Sudam. Em diversas gravações telefônicas feitas pela PF, ele aparece como um dos interlocutores, até mesmo reclamando de que os recursos para projetos não haviam sido liberados, justamente em período eleitoral.

Apesar de negar ser aliado de Soares Sobrinho, Jader nunca desmentiu ter sido apoiado pela família Soares nos últimos anos. O empresário foi vereador e vice-prefeito de Altamira pela legenda. Ele aparece até mesmo em fotos almoçando ao lado de Jader, durante campanha. Soares Sobrinho foi o coordenador financeiro da campanha de 2000 do prefeito Domingos Juvenil (PMDB).

O envolvimento da família Soares com as fraudes em financiamentos da Sudam foi o início de toda investigação. O procurador da República em Tocantins, Mário Lúcio de Avelar, descobriu irregularidades nos empreendimentos Paraíso Agroindustrial, Refrigerantes Xuí e Frango Líder, no Estado, e iniciou as investigações. Daí em diante, a PF descobriu que a família estava envolvida num esquema bem maior do que se pensava, chegando a diversos outros envolvidos, entre eles, os ex-secretários-executivos do Ministério da Integração Nacional Benivaldo Bezerra e Maurício Vasconcelos.

Soares Sobrinho foi preso em abril por causa das escutas telefônicas que apontaram o envolvimento dele, mas foi libertado em seguida por meio de habeas-corpus. No entanto, ele começou a coagir testemunhas. ''Nós pedimos a prisão preventiva porque ele estava impedindo o andamento dos inquéritos'', afirmou o delegado federal Hélbio Dias Leite, que preside os inquéritos da Sudam. O empresário foi preso em Altamira e levado ontem mesmo para a delegacia da PF em Santarém.

mockup