Brasília á O delegado da Polícia Federal Gesival Gomes de Souza admitiu ontem, pela primeira vez, que irá convocar o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) para depor sobre as denúncias de grampos em telefones na Bahia. Como tem foro privilegiado por ser parlamentar, ACM tem a prerrogativa de indicar data e local para ser ouvido.
A convocação deverá acontecer após o Carnaval e a decisão de Souza surgiu após as declarações da advogada Adriana Barreto, ex-amante de ACM que depôs à PF e a procuradores do Ministério Público. Adriana afirmou que ACM disse a ela ser o mandante dos grampos.
Com o depoimento de Adriana e de seu marido, o também advogado Plácido Faria, tomados entre a noite de sábado e a madrugada de ontem em Brasília, a PF diz que o cerco ao mandante dos crimes está fechado.
ACM é o principal suspeito de ter mandado grampear 232 telefones na Bahia, entre eles o do casal de advogados e dos deputados Geddel Vieira Lima (PFL-BA) e Nelson Pellegrino (PT-BA), seus desafetos. O senador nega as acusações.
Plácido Faria disse que temeu por sua vida desde que iniciou sua relação com Adriana. Ele afirmou que sofreu todo tipo de pressão nos últimos 18 meses, desde calúnias contra ele e sua mulher, até ''ter uma arma apontada' contra sua cabeça. ''Esse tempo todo eu temi por minha vida. Eu tive revólver em minha cabeça, passei por situações vexatórias e foi tudo a mando dele, do senador Antonio Carlos Magalhães'', disse Faria.
Durante rápida entrevista ao sair de um hotel, em Brasília, Faria afirmou que já há elementos para que o Ministério Público denuncie o senador como mandante do grampo do qual também foi vítima. ''Eu tive minha privacidade invadida de uma forma cruel e perversa, porque as informações do grampo eram utilizadas para me perseguir. Acho que as provas já são suficientes para o oferecimento, pelo menos, da denúncia', afirmou o advogado.
Questionado se teve alguma dúvida de que ACM é mesmo o mandante, Faria respondeu: ''Eu não tenho dúvida nenhuma''. O delegado também poderá pedir à Justiça a apreensão das fitas divulgadas ontem pela revista ''Isto É', nas quais ACM assumiria a autoria do grampo. No depoimento, o casal foi acompanhado pelo advogado Aristides Junqueira, que foi procurador geral da República do governo Collor.

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