Federal ouve titulares de cinco contas fantasmas
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Cristiane Oya De Londrina 
O delegado da Polícia Federal (PF) de Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, tomou ontem o depoimento de quatro titulares de contas das empresas fantasmas Militão e Parisoto S/C Ltda., Arravel Representações Comercias S/C Ltda., Hermison Valter de Araújo e Cia Ltda., Maia e Militão S/C Ltda. e Jomaia Empreendimentos S/C Ltda. Os cinco inquéritos foram instaurados no dia 5 de fevereiro.
Segundo o delegado, Hermison Valter de Araújo, Romeu de Oliveira Parisoto, Armando Alexandre Militão e Fábio Maia, todos moradores do Jardim Paraíso (zona norte de Londrina), disseram que em 97 foram abordados por Cícero Soares, conhecido por Cirço. Ele teria oferecido R$ 200 para cada um, pelo empréstimo de documentos, como carteira de identidade (RG) e CPF.
Os documentos teriam sido utilizados para a abertura das empresas e das contas nas agências do Banestado em Londrina e em Ibiporã. São pessoas simples que, em tese, não tinham conhecimento de como seriam utilizados os documentos, afirmou o delegado.
O técnico em contabilidade Clodoaldo Quati também esteve ontem na PF, fornecendo material gráfico para perícia nos inquéritos que apuram lavagem de dinheiro através de 37 contas de empresas fantasma abertas no Banestado. Quati é funcionário do escritório Orgacentro, de propriedade de Ilvino Fazoli, que providenciou os contratos sociais das empresas.
Foi ele (João Edson Danziger) quem solicitou o serviço. Não suspeitamos de nada, porque todas as cópias (de documentos) estavam autenticadas. Danziger disse que as empresas iriam participar de licitações, relatou Quati. Ele se referia ao funcionário municipal Danziger, indiciado pela PF por evasão de divisas e crime contra ordem tributária e considerado principal laranja do doleiro e empresário londrinense Alberto Youssef. O contabilista afirmou que entre 1997 e 98, organizou a abertura de cerca de dez novas empresas a pedido de Danziger. O servidor nega todas as acusações.
Segundo o delegado, o material gráfico e os documentos dos processos serão encaminhados para o Serviço de Criminalística da PF, em Curitiba, para a perícia e verificar, na prática, quem assinou.
Youssef e o ex-superintendente Regional do Banestado em Londrina José Collete também deveriam comparecer para fornecer material gráfico, mas não apareceram. Foi a segunda vez que o doleiro foi convocado. Vamos intimá-lo pela terceira vez. Se não comparecer vamos pedir a condução coercitiva, afirmou. De acordo com as investigações, Youssef seria o responsável pela movimentação de pelo menos R$ 150 milhões em 30 contas fantasmas.


