O ex-diretor de operações do Banestado, Gabriel Nunes Pires, deverá ser ouvido hoje à tarde em Curitiba pelo delegado da Polícia Federal, Sandro Roberto Viana dos Santos, nos inquéritos que apuram a existência de 30 contas fantasmas em agências do Banestado em Londrina e ‘‘lavagem’’ do dinheiro desviado da prefeitura. Segundo carta assinada pelo superintendente regional do Banestado, José Collete, publicada ontem na Folha, a abertura dessas contas teria sido solicitada pelo diretor de operações da época – no caso, Gabriel Pires.
O ex-diretor, que ocupou o cargo de junho de 1998 a janeiro de 1999, já depôs ao Ministério Público de Londrina sobre o caso, mas o depoimento estava sendo mantido sob sigilo. Segundo a Folha apurou, Pires teria negado informação prestada por Collete, de que foi ele, Pires, quem solicitou a abertura das contas. Pires admitiu, no entando, que a diretoria do Banestado conhecia as irregularidades. Ainda segundo o depoimento, a existência de contas fantasmas era um esquema que ‘‘preexistia’’ dentro da instituição e que apenas foi mantido pela antiga diretoria.
Também em depoimento ao Ministério Público, no dia 23 de junho, o ex-presidente do Banestado, Manoel (Neco) Garcia Cid negou que tivesse conhecimento das irregularidades e disse que ficou ‘‘surpreso’’ com a existência de 30 contas fantasmas em agências de Londrina. ‘‘Nunca soube de nada que envolvesse muito dinheiro’’, disse à imprensa.
Ontem, o delegado Sandro dos Santos disse que pretende confirmar com Pires se ele realmente pediu a abertura das contas fantasmas, conforme revelou o superintendente Colette. ‘‘Ou então, saber quem de fato está por trás dessa operação’’, acrescentou. O MP já informou que trabalha com a hipótese de que o responsável pelas contas fantasmas seja um conhecido doleiro de Londrina – mas não revelou o nome. O delegado também confirmou que irá ouvir o superintente sobre o assunto.
A reportagem falou com Pires ontem no final da tarde, por telefone. Ele disse que está à disposição para qualquer esclarecimentos mas que só vai falar à imprensa num ‘‘momento oportuno’’. Além de diretor do Banestado, Pires já foi dono de um cartório em Londrina, que hoje está no nome do filho dele.
Além de Pires, o delegado ainda pretende ouvir essa semana em Curitiba os empresários Luiz José de Oliveira Kesikowski, Raul Baglioli Filho, Arion Alves Cruz e Cláudio Menna Barreto. Empresas dos empresários participaram de licitações fraudulentas na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e parte do dinheiro desviado foi parar nas contas fantasmas.
Uma dessas contas é a da ‘‘Freitas & Dutra’’ – que utilizou a foto de um ‘‘laranja’’ de Florestópolis nos documentos da empresa. A Realty Participações, que deveria funcionar em São Bernardo do Campo (SP), também foi usada na lavagem do dinheiro. A empresa tem 99% do capital pertencentes à Norgred Sociedad Anonima, empresa uruguaia utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Melo na chamada ‘‘Operação Uruguai’’.

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