CASO AMA-COMURB Federal investiga lavagem no Banestado Rastreamento do Ministério Público leva à conta corrente de uma empresa fantasma possivelmente operada por um doleiro desde 1998 Lúcio Horta De Londrina O Ministério Público solicitou abertura de inquérito na Polícia Federal para investigar suposta lavagem de dinheiro em uma conta da agência central do Banestado, em Londrina. A conta foi aberta em 1998 em nome de uma empresa fantasma chamada Freitas & Dutra, que deveria estar instalada na Rua Mário Oncken, 300, apartamento 1.401, Jardim das Américas (zona leste). O local é um apartamento residencial. Pela conta bancária da Freitas & Dutra teria passado parte do dinheiro desviado no esquema de corrupção montado dentro da administração municipal de Londrina. O Ministério Público de Londrina investiga fraude em licitações realizadas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização que envolve recursos de até R$ 16 milhões. O nome da Freitas & Dutra surgiu durante o trabalho de rastreamento do dinheiro desviado da prefeitura. Os promotores que investigam o caso descobriram que a empresa foi constituída a partir de documentos extraviados de duas pessoas – que teriam sido utilizados indevidamente e serviram como base para falsificação de outros documentos – e hoje tentam descobrir quem de fato movimentava a conta. ‘‘Por ora, o Ministério Público está empenhado em elucidar esse caso e por isso pediu abertura de inquérito na Polícia Federal. Trata-se de um fato de extrema gravidade e por isso seremos cautelosos em fazer qualquer declaração’’, afirmou ontem o promotor Cláudio Esteves, que investiga o caso AMA–Comurb ao lado dos promotores Bruno Galatti e Solange Vicentin. Esteves disse ainda que a investigação envolve quebra de sigilo bancário e por isso não pode revelar maiores detalhes. Mas segundo informações obtidas pela Folha, a conta teria sido aberta por determinação de um diretor do Banestado e movimentada por um doleiro da cidade. O promotor não confirmou essas informações. Por causa da investigação na conta do Banestado, na semana passada o promotor Esteves ouviu o superintendente regional do Banestado, José Collete. O conteúdo do depoimento não foi revelado pelo MP e Collete disse que foi orientado pela direção do banco a não dar declarações. O gerente da agência central do Banestado em Londrina, Wilson Maeda, também prestou depoimento ao MP e depois não deu declarações. Ontem, a direção do Banestado disse, por meio da assessoria de imprensa, que a conta foi auditada pela auditoria interna do banco e as informações estão sendo remetidas para o Ministério Público. A assessoria acrescentou que a conta não é movimentada desde janeiro de 99 e que o Banestado não tem informações sobre quem teria solicitado a abertura da conta. O inquérito que vai apurar a conta do Banestado é o segundo solicitado pelo MP para apurar lavagem de dinheiro. No último dia 29, a Polícia Federal passou a investigar a empresa Realty Investimentos e Participações Ltda, de São Bernardo do Campo (SP). A empresa também teria recebido parte do dinheiro desviado do esquema AMA–Comurb. Apesar sediada na Grande São Paulo, 99% dos acionistas da Realty são uruguaios.

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