Federal investiga 'laranja' em Maringá
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Além de abrir empresas e contas fantasmas em agências do Banestado de Londrina, o esquema que lavou o dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina chegou a habilitar um telefone celular da Sercomtel no nome de laranja. A vítima foi o montador Paulo César Nascimento, 31 anos, que mora em Maringá e trabalha numa empresa metalúrgica do município. Ele perdeu os documentos há cerca de dois anos e só descobriu a fraude no início deste ano, quando percebeu que estava sem crédito.
Paulo César disse ontem que logo que perdeu os documentos, registrou queixa na delegacia e achou que o problema tinha acabado ali. No início deste ano, porém, foi informado que havia um telefone habilitado na Sercomtel Celular, em Londrina, e que a dívida já era de quase R$ 2 mil. Há 15 dias ele prestou depoimento na Polícia Federal (PF). Virei empresário sem saber. O delegado falou que era uma quadrilha que está agindo na região. Parece que é tanto dinheiro que nem tenho noção. Mas estou tranquilo porque não devo nada, garantiu.
A lavagem de dinheiro em agências do Banestado está sendo investigada pela PF em 30 inquéritos diferentes, um para cada conta fantasma, e também pelo Ministério Público. As empresas que estão no nome do montador são Nascimento & Empreendimentos S/C Ltda; Oliveira & Nascimento S/C Ltda; e Paulo & Ilson S/C Ltda esta última também pertencente ao pintor Ilson Antônio Henrique de Oliveira, laranja que está preso em Ibiporã por furto.
Ainda sem muitas informações sobre o esquema de lavagem, Paulo César só tem uma certeza: o caso tem lhe trazido grandes transtornos. O prejuízo é grande e meu nome é que está em jogo. Estou protestado, não consigo fazer crediário e não tenho nada com isso, lamentou. Por isso, pediu auxílio para o advogado Alessandro Gasparo Pinto, de Maringá, para saber que tipo de medida poderá ser tomada.
Sem dúvida o dano e o constrangimento são grandes, disse o advogado, não descartando uma ação de indenização por danos morais contra a Sercomtel que habilitou o celular e também contra o Banestado. Ele disse ainda que na próxima semana deverá estar em Londrina para conhecer com detalhes a investigação da PF.
A Folha entrou em contato com a Sercomtel no final da tarde de ontem. Segundo a assessoria de imprensa, a empresa irá fazer um levantamento para saber o que houve com a linha que teria sido habilitada no nome do montador.
A descoberta de contas fantasmas no Banestado foi feita a partir do rastreamento do dinheiro desviado da prefeitura de Londrina. Além do montador de Maringá e o pintor preso em Ibiporã, o esquema usou também a foto de um lavrador de Florestópolis para abrir empresas e contas fantasmas no Banestado. São pelo menos 10 contas em nome de empresas fantasmas e 20 contas em nome de pessoas físicas. O esquema chegou a movimentar R$ 400 mil por dia em cada uma das contas.


