Federal investiga especuladores que lucraram com dossiê
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quarta-feira, 06 de junho de 2001
Edson Luiz Agência EstadoDe Brasília 
A Polícia Federal (PF) investiga dois grandes especuladores, conhecidos no mercado financeiro brasileiro, que teriam lucrado com a divulgação do chamado dossiê Cayman, que atribuía ao presidente FHC e ministros a posse de contas bancárias em paraíso fiscal. A PF confirmou esta semana que os documentos eram falsos. Além dos especuladores, nove políticos tiveram conhecimento dos papéis cinco deles compraram o dossiê com o intuito de fazer chantagem, usá-los politicamente e até mesmo causar queda do real com a divulgação.
Desde fevereiro de 1999, a PF tinha indícios de que pelo menos dois dos acusados montaram o dossiê. Os suspeitos Honor Rodrigues da Silva e Ney Lemos dos Santos, que moram em Miami (EUA), haviam sido citados num depoimento do advogado Paulo Sérgio Braga Barbosa. Mas, por causa da denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), o ex-presidente do Banco do Brasil (BB) Lafaiete Coutinho e o pastor protestante do Rio de Janeiro Caio Fábio, o inquérito teve de ser encerrado e reaberto no dia 13 de março.
Segundo as investigações da PF, inicialmente, o dossiê foi montado e encaminhado para políticos brasileiros cujos nomes não são revelados para uso eleitoral. Cinco deles demonstraram interesse no conjunto de papéis os compraram. Outros quatro apenas tiveram conhecimento dos documentos, mas se recusaram a usá-los. Daí em diante, conforme a PF, o interesse eleitoral passou para chantagem das pessoas que, supostamente, estariam envolvidas com contas em paraísos fiscais no Caribe. Mas, em seguida, a intenção foi divulgar os papéis e causar a queda do real, causando uma grande especulação no mercado financeiro.


