A Polícia Federal investiga pelo menos 60 pontos ilegais de troca de dinheiro em Foz do Iguaçu, suspeitas de lavagem. A suspeita foi reforçada depois que uma operação especial, em que a ação de doleiros na fronteira com o Paraguai é investigada em sigilo, identificou cinco ‘‘casas de câmbio’’ ilegais funcionando em um apartamento. Segundo o delegado Operacional da PF, Alexandre Creniti, durante a invasão do prédio, ocorrida há uma semana, dois empresários foram presos com R$ 100 mil em diversas moedas e cheques.
Os nomes dos detidos não foram divulgados, mas se sabe que são ex-proprietários de agências de câmbio e turismo que atuavam até o final do ano passado. Das 33 empresas que atuavam no ramo em Foz, somente 13 estavam credenciadas ao Banco Central. Creniti explicou depois de intensificadas as investigações federais, a nova opção dos doleiros passou a ser a própria residência.
As ‘‘agências’’ que mantinham o mesmo endereço (comprovadas pelas contas telefônicas) eram a Itália Turismo, Cantur, Concórdia Turismo, Holidays Tur e Turismo Três Lagoas. No local foram encontrados boletos de compra e venda de moedas estrangeiras, recibo de depósitos de bancos paraguaios, brasileiros e argentinos, máquinas registradoras, três celulares e duas agendas. Os homens presos foram liberados em dois dias depois sob o pagamento de fiança.
A descoberta de doleiros trabalhando em casa deve dificultar ainda mais as investigações na cidade. Além desta nova opção para a lavagem de dinheiro proveniente de ações ilícitas (narcotráfico, venda de armas, corrupção, entre outras) existem também as casas credenciadas, bancos e pelo menos 180 empresas ligadas ao ramo de viagem e turismo e que, extra-oficialmente, atuam no câmbio de dólares.

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