Federal descobre novas empresas ''fantasmas''
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
A Polícia Federal de Londrina descobriu mais três empresas que usaram contas fantasmas no Banestado para lavagem de dinheiro. As contas foram abertas com documentos roubados de um laranja, o pintor de paredes Ilson Antônio Henrique de Oliveira, que está preso em Ibiporã por furto. Elas podem ter sido usadas para lavar parte do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. Em pelo menos uma das contas, a da empresa NP de Oliveira e Cia S/C Ltda, que existiu entre abril de 1998 e fevereiro de 1999, a movimentação diária era de até R$ 200 mil.
A NP deveria funcionar na Avenida Arthur Thomas, 1112, no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), mas o endereço não existe. Documentos como o contrato social da firma e o comprovante de residência do titular são frios. As outras empresas que estariam no nome do laranja são Oliveira e Santos S/C Ltda e Paulo & Ilson S/C Ltda ambas com contas na agência do Banestado na Avenida Tiradentes. O próprio Ilson Santos teve outra conta aberta na mesma agência, como pessoa física, e que também teria movimentado centenas de milhares de reais diariamente.
Nunca vi tanto dinheiro na vida, assegurou Ilson. Aos 32 anos, casado e pai de uma filha de nove meses, ele está preso desde novembro de 1999. Essa agora, de conta fantasmas, é nova. Mas estou tranquilo porque não fiz nada demais. A única conta que tive foi uma para receber salário quando trabalhava na Encol. Hoje não tenho mais; aliás, não tenho nem moto para andar na cidade, disse o pintor, que ganhou o apelido de Milionário na carceragem por causa da divulgação do caso.
Ilson contou que em 1997 perdeu todos os documentos. Sentei na beira de uma linha de trem para fumar um baseado (cigarro de maconha) e esqueci a carteira. Pouco tempo depois, o pintor foi preso. Já nessa época, foi procurado pela primeira vez pela Polícia e Receita Federal por causa de outra conta fantasma, aberta no Uruguai. Pegaram meu depoimento, minha assinatura. Acho que acertaram tudo na época. Não imaginava que poderia acontecer de novo.


