CASO AMA-COMURB Federal apura lavagem de dinheiro Lino Ramos e Lúcio Horta De Londrina A Polícia Federal de Londrina abriu inquérito para investigar a empresa Realty Investimentos e Participações Ltda., de São Bernardo do Campo (SP), suspeita de ser utilizada na lavagem do dinheiro público desviado da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O delegado responsável pelo caso, Sandro Roberto dos Santos, não quis ontem dar detalhes da investigação alegando que os documentos que estão em posse da PF são sigilosos. O inquérito foi aberto dia 29 de fevereiro. Apesar de estar sediada na Grande São Paulo, 99% dos acionistas da Realty são uruguaios. Em maio do ano passado, o empresário Raul Baglioli Filho, proprietário da NT&C, empresa de Curitiba, confirmou ter efetuado uma transferência de R$ 493 mil para a Realty. Outro empresário curitibano, Luiz José de Oliveira Kesikowski, dono da Nova Forma e Kesikowski, também transferiu no mês de maio R$ 1,1 milhão para a Realty. Além da Realty, o promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), afirmou ontem que pedindo abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar eventual lavagem de dinheiro em uma conta na agência central do Banestado de Londrina. Os recursos também teriam sido desviados do esquema AMA-Comurb e a conta seria movimentada por um doleiro da cidade. O pedido abertura de inquérito coincide com a informação do promotor Cláudio Esteves de que a promotoria enfrenta dificuldades em obter informações junto a direção local do banco. Os promotores que investigam as irregularidades na administração municipal ouviram na semana passada o superintendente regional do Banestado, José Collete. O contéudo do depoimento não foi revelado pelo MP e, ao deixar a 1ª Vara Cível, Collete disse que foi orientado pela direção do banco a não dar declarações. ‘‘As declarações somente poderão ser dadas pela diretoria da empresa’’, resumiu. A assessoria do Banestado, em Curitiba, não conseguiu localizar o presidente do banco. Na quinta-feira da semana passada, o gerente da agência central do Banestado em Londrina, Wilson Maeda, também prestou depoimento ao MP. Após ser ouvido, Maeda deixou o Fórum apressado, sem falar à imprensa. O procurador-jurídico do banco, Júlio Cezar Rodrigues, acompanhou o gerente e negou que o banco esteja dificultando a entrega de documentos à promotoria. ‘‘Não, porque o banco é obrigado a fornecer documentos; se não fornecer, o sujeito (gerente) pode ser preso’’, justificou Rodrigues. Além de Londrina, segundo rastreamento, o dinheiro desviado passa por Curitiba, São Paulo e Goiás. Em Goiás, os promotores conseguiram apreender cerca de R$ 200 mil em uma conta bancária. Até agora o MP obteve a quebra do sigilo de cerca de 200 contas em diversos bancos. Oficialmente, o rombo na administração seria de R$ 16 milhões.

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