Federal amplia efetivo para caçar juiz
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segunda-feira, 17 de julho de 2000
Fausto Macedo Agência Estado De São Paulo 
A ordem do presidente Fernando Henrique Cardoso para prender o juiz Nicolau dos Santos Neto fez a Polícia Federal (PF) ampliar o efetivo empregado nas buscas ao ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Todas as superintendências regionais da PF estão empenhadas na caçada ao magistrado foragido desde 25 de abril. A operação está centralizada em São Paulo. Ontem, o delegado Gilberto Tadeu Vieira Cézar, porta-voz da superintendência paulista, disse ontem que as palavras do presidente Fernando Henrique dão mais vontade de pegar esse criminoso (Nicolau).
Tadeu garantiu que a PF não diminuiu o ritmo para tentar encontrar Nicolau nem mesmo quando a Justiça pôs em liberdade os empreiteiros Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Teixeira Ferraz, respectivamente diretor-presidente e vice-presidente da Incal Incorporações responsável pela obra inacabada do Fórum Trabalhista, que consumiu R$ 263,9 milhões do Tesouro. Acusados de corrupção ativa, peculato, formação de quadrilha e estelionato, Monteiro de Barros e Ferraz tiveram a prisão decretada em fevereiro, mas fugiram.
Monteiro de Barros foi preso num flat no Itaim, 75 dias depois. Ferraz foi localizado no Morro de São Paulo, litoral baiano, após 95 dias de investigação. A PF investiu cerca de R$ 100 mil na missão de captura dos empreiteiros. Eles permaneceram na Custódia da PF pouco mais de 40 dias e foram soltos. A Justiça entendeu que ambos não seriam os principais responsáveis pela Incal.
As cobranças do Planalto de empenho da PF para prender o juiz foragido, porém, incomodaram alguns setores da instituição. Policiais federais não gostaram de ouvir declarações do ministro da Justiça, José Gregori, de que faltou sorte para prender o juiz. Isso, segundo eles, poderia parecer um atestado de incompetência da PF. Ontem, Gregori convocou à tarde o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro, para cobrar mais empenho na captura do juiz.
À saída do encontro, o delegado informou que todo o efetivo da PF dispõe de cópia do mandado de prisão do juiz e que os policiais estão mobilizados nessa operação. Agílio Monteiro acrescentou que todos os meios possíveis já estão sendo empregados nesta operação mas que, infelizmente, ainda não foi possível chegar ao juiz.
Agílio Monteiro instaurou ontem inquérito para apurar denúncias divulgadas na última edição da revista IstoÉ, que envolvem o ex-assessor da Presidência, Eduardo Jorge, no desvio de verbas do TRT de São Paulo. Agílio Monteiro designou o delegado Ulysses Francisco Vieira Mendes, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais, da superintendência da PF de São Paulo para comandar as investigações.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional garantiu ontem que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não está investigando as denúncias de envolvimento de Eduardo Jorge no esquema do juiz foragido.


