Febre eletrônica atinge três poderes
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Na contramão da era das privatizações, o Estado brasileiro - Executivo, Legislativo e Judiciário - está montando uma poderosa rede pública de telecomunicações para defesa dos seus interesses. A estrutura em operação já reúne, só em Brasília, duas TVs novas em funcionamento (TV Senado e TV Legislativa do Distrito Federal), uma em fase experimental (TV Câmara) e uma em projeto (TV Supremo Tribunal Federal), além de sete emissoras de rádio AM e FM implantadas e uma TV a cabo, a NTV, em fase de estruturação na Radiobrás, vinculada ao Poder Executivo.
A febre eletrônica que toma conta dos três poderes começou em maio deste ano com a entrada em operação da TV Senado, que consumiu R$ 1,4 milhão na primeira etapa. Outros R$ 600 mil estão sendo investidos para que a emissora, captada pelo canal 53 da TV a cabo NET, fique, a partir deste mês, as 24 horas do dia no ar e implante o sistema interativo, que permite ao público participar ao vivo da programação. Atualmente, a programação se estende das 9 horas à 0h30. Paralelamente, o Senado está investindo R$ 500 mil na implantação da Rádio Senado FM, que entra em operação este mês.
Para dar suporte à sofisticada rede de comunicações, que inclui ainda um jornal tablóide de oito páginas diárias, já em circulação, o Senado abrirá concurso público, nos próximos dias, para contratação de 50 profissionais - 35 jornalistas e 15 relações públicas. O pessoal da área técnica - cinegrafistas, operadores e auxiliares - prestará serviços terceirizados, porque na estrutura do Senado não existem essas profissões. Para operar sua TV, o Senado paga R$ 60 mil mensais à empresa Reman pelos equipamentos e pessoal técnico, mais R$ 25 mil pelo aluguel do satélite à Embratel, mais R$ 20 mil à firma Consat, que opera as transmissões via satélite, totalizando R$ 105 mil ao mês.
Contagiada pelo Senado, a Câmara Distrital de Brasília investiu R$ 240 mil na compra de equipamentos básicos e colocou no ar, desde 28 de novembro, a sua emissora, batizada de TV Legislativa do DF. Com 15 pessoas engajadas na produção e operação, a emissora vai ao ar das 19 às 23 horas, de segunda a sexta-feira, pelo canal 55 da NET. A Câmara Distrital de Brasília - assim batizada porque Brasília não é Estado, mas Distrito Federal - é o terceiro legislativo estadual a criar uma TV, depois de São Paulo e Minas Gerais.
Enciumada com o brilho do vizinho, a Câmara dos Deputados criou o embrião de uma futura TV, que circulará pelos mesmos caminhos do Senado. Sem estrutura própria, porém, a TV Câmara funciona como uma seção do Serviço de Registro Videográfico. Por enquanto, a programação produzida na Câmara ocupa três horas diárias, de segunda a sexta-feira, ao longo da programação do Senado. Os equipamentos são alugados da empresa Planeta Comunicação e a operação do serviço custa R$ 40 mil mensais. A criação definitiva da nova TV faz parte da plataforma eleitoral de todos os candidatos à sucessão na Presidência da Câmara.
A proliferação de emissoras de TV no setor público foi estimulada pela Lei da TV a cabo, de janeiro de 1995, que garante ao Legislativo da União e dos Estados um canal exclusivo e gratuito para veicular seus trabalhos nas TVs a cabo privadas, que funcionam mediante concessão do poder público.


