O presidente Fernando Henrique determinou à Advocacia Geral da União (AGU) que entre com uma ação na Justiça contra Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) por declarações dadas pelo ex-senador em entrevista ontem à Rádio Subaé, de Feira de Santana. ‘‘O presidente só despacha com quem quer, e rouba. Não vou mais deixá-lo roubar em paz’’, teria dito ACM na entrevista. A ação objetiva responsabiliza ACM sobre as ‘‘infundadas declarações’, conforme classificou FHC por meio de seu porta-voz, George LamaziSre.
O presidente estava mantendo uma postura de não responder às acusações de ACM para tentar enfraquecer o discurso do ex-senador. Diariamente, ACM tem feito declarações ameaçando divulgar informações que comprometeriam o presidente. Anteontem, o ex-senador baiano acusou Fernando Henrique de comandar um esquema irregular de arrecadação de dinheiro para sua campanha à Presidência em 1998. Em um dos momentos da entrevista, ACM disse também que FHC não trabalha.
‘‘Ele até está em boa forma física, nada todos os dias, acorda um pouco tarde, faz exercícios. Lá pelas 12 horas ele fica pronto. Até parece um ex-governador da Bahia (referindo-se ao deputado federal Waldir Pires) e que vai levar ferro nas próximas eleições’’, afirmou o ex-senador.
Principal adversário de ACM na política baiana, Pires era chamado de ‘‘dorminhoco’’ pelo ex-senador. De acordo com ACM, o presidente ‘‘somente despacha com as pessoas que gosta’. ‘‘Ele despacha com o Serra, com o Malan e olhe lá.’’ Antonio Carlos também não esqueceu três de seus principais desafetos políticos – o presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB), o ministro Eliseu Padilha (Transportes, do PMDB) e o deputado Geddel Vieira Lima, líder do PMDB na Câmara. ‘‘Todas as denúncias que eu fiz foram comprovadas. O rombo da Sudam já ultrapassa R$ 2 bilhões. O DNER (órgão controlado pelo PMDB) é uma vergonha. Não existem estradas, mas os deputados ganham comissões de empreiteiras e aviões para fazer política.’’
No início da noite, ACM decidiu recuar: ‘‘Não me expressei corretamente, não quis chamar o presidente de ladrão. Se soubesse de alguma coisa nesse sentido falaria’’, emendou. ‘‘Mas não retiro as outras acusações’’, declarou. As acusações mantidas são a de que FHC seria ‘‘preguiçoso’’ e ‘‘leniente’’ com a corrupção no governo federal. Sobre o envolvimento de FHC no esquema de caixa 2 de sua campanha, feita através do ex-secretario Eduardo Jorge Caldas, Magalhães reafirmou: ‘‘Mantenho e provo.’’ Conforme ACM, os casos do DNER, Sudam e as privatizações, provariam que FHC não combate a corrupção no governo para ter uma base de sustentação no Congresso para aprovar as matérias do seu interesse. (Colaborou Biaggio Talento/Agência Estado)

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