Curitiba - No primeiro depoimento ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os desvios de recursos ocorridos no Banestado, o ex-presidente do banco Luiz Antônio Fayet criticou a atuação do Banco Central (BC) por não ter feito intervenções mais firmes para investigar as causas da má situação financeira da instituição. ''O Banco Central tinha essa responsabilidade'', afirmou, citando que após a sua administração, em 1995, o banco chegou a apresentar um passivo descoberto de R$ 2,6 bilhões, e nem assim o BC interveio no Banestado.
A assessoria de imprensa do BC, em Brasília, informou que a instituição não vai se pronunciar sobre as declarações de Fayet, até porque não considera o assunto da liquidação do Banestado encerrado. Segundo a assessoria, o BC ainda investiga o que aconteceu dentro do banco paranaense. Tanto é que na semana passada, encaminhou cópia de um relatório financeiro, de 22 mil páginas, para o Ministério Público Federal, a quem cabe apurar eventual responsabilidade criminal.
Fayet falou sobre os 11 meses em que esteve à frente do Banestado, de janeiro a novembro de 1995. Ao assumir, segundo ele, o Banestado apresentava ''um ponto crítico de caixa'', obrigando-o a recorrer ao sistema interbancário, para efetuar empréstimos diários de R$ 600 milhões para fechar o caixa. Contraditoriamente, o balanço do banco em 1994 foi positivo. Ele também acusou o banco de ter feito gastos exorbitantes em publicidade em 1994. ''Foi gasto mais do que o dobro do que gastamos em 1995''. disse, lembrando que em seis meses de sua administração havia conseguido reverter esta situação, passando a um saldo positivo de caixa de R$ 800 milhões.
Fayet falou ainda das denúncias contra o Banco Del Paraná, ocorridas em setembro de 1995. ''Foi uma campanha orquestrada contra o Banestado, que causou uma queda grande no caixa, dificultando a recuperação financeira do banco'', disse. Para ele, a campanha partiu de bancos privados, que se sentiram ameaçados quando o Banestado conseguiu se restabelecer e voltou a competir no mercado.
O ex-presidente afirmou também que em sua administração não havia indícios de irregularidades, como desvios de recursos. ''A lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional é antiga, mas há meios de controlar isso'', disse, ressaltando que, em sua administração, implantou alguns sistemas de proteção. Através do serviço ''on line'' todas as operações suspeitas ou com valores muito altos passaram a ser informadas à diretoria. Outra ação foi a implantação de um sistema de ações colegiadas, que não permitia que nenhum funcionário ou diretor fechasse uma operação isoladamente.
O presidente da CPI, deputado Neivo Beraldin (PDT), ficou satisfeito com o primeiro depoimento tomado. ''O Fayet está muito disposto a colaborar conosco'', assinalou. Ele informou que hoje a comissão ouve o depoimento de dois ex-auditores do Banestado (Marçal Ussui Sobrinho e Valter José Benelli).

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