O maior escândalo político da história recente de Santa Catarina virou tabu para os dois principais candidatos de oposição ao governo do Estado. Tanto o líder nas pesquisas, Esperidião Amin (PPB), como o terceiro colocado, Milton Mendes (PT), têm evitado em suas campanhas falar no caso da emissão de títulos para pagamento de precatórios (dívidas judiciais), que em 1997 quase resultou no impeachment do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB). Candidato à reeleição e em segundo lugar, Vieira afirma que PPB e PT não podem abordar o problema porque também seriam atingidos. Os postulantes do PV, Rogério Portanova, e do PSTU, Joaninha de Oliveira, dizem o mesmo.
‘‘Ando sempre com duas fotografias, uma do senador Esperidião Amin com Paulo Maluf e Celso Pitta e outra de Luiz Inácio Lula da Silva e de Leonel Brizola com o governador Miguel Arraes’’, ironiza o governador, que amarga rejeição de mais de 50% na opinião pública. Ele diz ter documentos que mostram que Amin relatou favoravelmente à emissão de títulos para pagar precatórios da prefeitura de São Paulo e que Arraes, do PSB, partido da coligação pró-Mendes, também ordenou emissões semelhantes. ‘‘Os grupos que aqui tentaram me derrubar acham, nos outros locais onde houve problema idêntico, que está tudo bem.’’
Disparado na liderança, com mais de 50% das preferências e possibilidade de vitória já no primeiro turno, Amin afirma que não aborda o caso porque ‘‘não precisa’’. ‘‘É uma página que tem que ser virada’’, diz. O senador, que lidera uma coligação de 13 partidos alinhada ao presidente Fernando Henrique Cardoso, acha que a alta rejeição sofrida pelo governador junto à opinião pública se deve ao escândalo, mas não crê que isso coloque o problema na ordem-do-dia da política catarinense. ‘‘O fracasso lhe subiu à cabeça’’, afirma, referindo-se a Vieira. ‘‘Santa Catarina tem noção muito clara de que sofreu prejuízo.’’
Mendes, postulante por uma aliança de oito partidos, assume que a omissão tem motivos de estratégia eleitoral. ‘‘Não abordamos por achar que vamos para o segundo turno’’, afirma. ‘‘Achamos que, taticamente, não há necessidade disso, porque ficaríamos repetindo uma coisa que todo o povo de Santa Catarina já sabe’’, observa. No raciocínio dos articuladores da campanha das esquerdas, o prioritário é polarizar com o primeiro colocado e não com o governador, que seria o mais atingido pelo escândalo. ‘‘Estamos fazendo uma campanha muito mais fundamentada em propostas que em ataques aos adversários’’, ressalta Mendes.
O presidente do PDT local, Manoel Dias, é explícito. ‘‘Não interessa à oposição hoje que Paulo Afonso caia ainda mais nas pesquisas’’, diz. ‘‘Para que haja segundo turno, o governador tem que ter votos.’’ Segundo ele, o adversário principal das esquerdas catarinenses atualmente é Espiridão Amin, não o governador. ‘‘Há manipulação, não podemos ter só cerca de 6% com uma coligação com oito partidos’’, critica. ‘‘A frente terá, no mínimo, 20% dos votos.’’

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