São Paulo - Se confirmar o favoritismo indicado pelas pesquisas de intenção de voto e for eleita hoje, a petista Dilma Rousseff terá a sua disposição uma ampla maioria favorável a seu governo dentro do Congresso. Ao todo, as urnas produziram a eleição de 360 deputados e 57 senadores alinhados com seu eventual governo.
Na prática, isso torna muito mais simples aprovar, por exemplo, mudanças constitucionais, que exigem o apoio de três quintos dos parlamentares das duas Casas em dois turnos de votação na Câmara e no Senado. Facilita também a derrubada de pedidos de abertura de comissões parlamentares de inquérito que possam investigar temas desconfortáveis para o governo.
Com isso, se for eleita, Dilma terá um cenário dentro do Congresso mais favorável do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou quando foi eleito pela primeira vez em 2002 e até mesmo depois de sua reeleição em 2006. Nestes oito anos de mandato, o presidente não teve problemas para controlar politicamente a Câmara dos Deputados, mas nunca conseguiu construir uma maioria parlamentar dentro do Senado.
Agora, se a candidata petista derrotar hoje o tucano José Serra, terá uma bancada muito mais favorável, inclusive no Senado. E isso acontecerá mesmo se forem levadas em conta dissidências nas bancadas de partidos aliados de Dilma, como é o caso de PMDB e PP.
Os peemedebistas passam a contar em 2011 com 21 senadores, mas três deles não devem se alinhar com Dilma, caso ela vença. É o caso dos senadores Jarbas Vasconcellos (PE), Luiz Henrique da Silveira (SC) e, possivelmente, Pedro Simon (RS). No PP, a senadora eleita Ana Amélia Lemos (RS) fez campanha a favor de Serra em seu Estado e também não apoia Dilma.
Do lado oposto, se conseguir reverter a tendência apontada pelas pesquisas, Serra precisará de uma ampla costura política para formatar uma base de apoio a seu favor no Congresso. Hoje, teria a seu lado apenas 125 deputados e 22 senadores. Na Câmara, porém, a pulverização e volatilidade das bancadas até facilita a atração de novos aliados, especialmente de partidos que sempre flutuam em torno do governo federal, seja ele qual for. Esse comportamento tem sido adotado sem grandes traumas por legendas como PMDB, PR, PP, PTB, entre outros. É improvável que não adotem o caminho de volta em direção a Serra, se ele se tornar o novo presidente.

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