Fatos que motivaram prisão já foram explicados, contesta defesa de Richa
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Vitor Struck <br> Reportagem local 

Após a prisão na manhã desta sexta-feira (25) do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e do contador Dirceu Pupo Ferreira, ambos investigados na Operação Integração do MPF (Ministério Público Federal), a defesa de Richa reitera que os fatos que motivaram a determinação do Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal de Curitiba, são antigos. A advogada Antonia Lélia Neves Sanchez, representante de Richa, afirma que o pedido de prisão do MPF "se baseia em ilações" e são "exclusivamente suportadas em falsas e inverídicas informações prestadas em sede de colaboração premiada, por criminosos confessos", diz em nota enviada à imprensa.
"Cumpre registrar que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar referidas medidas, reconheceu a flagrante ilegalidade na ordem prisão decretada. Na realidade, a prisão requerida pelo Ministério Público Federal afronta o quanto decidido pelo Supremo Tribunal Federal, com o evidente objetivo de desrespeitar os julgamentos proferidos pela Suprema Corte, sobre o tema", afirma.
A defesa também afirma acreditar que a prisão preventiva será revertida.
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Em nota o PSDB diz que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa e, por isso, prefere aguardar os desdobramentos, mas "reitera seu apoio e confiança na justiça brasileira, na expectativa de que o ex-governador Beto Richa consiga provar sua inocência", afirma.
Já a defesa de Fernanda Richa, esposa de Beto e proprietária da empresa Ocaporã Administradora de Bens, segue a mesma linha. Segundo o MPF, Richa teria lavado R$ 2,6 milhões com o auxílio de Dirceu Pupo Ferreira através da empresa de sua esposa. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, Ferreira solicitava que os vendedores lavrassem escrituras públicas de compra e venda por um valor abaixo do realmente pactuado entre as partes. A diferença entre o valor da escritura e o acordado era paga em espécie, de forma oculta, com propinas.
O escritório Eduardo Sanz, defesa de Fernanda Richa e da empresa afirma que há "evidente conflito" entre as duas investigações que versam sobre os mesmos fatos.
"A empresa OCAPORÃ não é, nem nunca foi, administrada formal ou informalmente por Carlos Alberto Richa. Não há qualquer fato que ligue a empresa OCAPORÃ ou seus sócios a qualquer fato ilícito sob investigação. Fernanda e André Richa estão, como sempre estiveram, à disposição da justiça, do Ministério Público e da polícia. É notório, inclusive, que ambos já prestaram depoimentos e responderam a todos os questionamentos que lhes foram feitos", diz.
Em nota, a ABCR (Associação Brasileiras de Concessionárias de Rodovias) afirmou que nunca esteve envolvida no caso. "A ação de um funcionário citado na operação Integração II levou a entidade a encerrar as atividades do escritório de Curitiba. Desde então, a associação vem colaborando com as autoridades. Também contratou empresas para realizar investigação interna", garante.
O juiz federal Paulo Sérgio Ribeiro acredita que Richa e Pupo tentaram atrapalhar as investigações, fato que motivou a decretação das prisões preventivas. "O fato concreto apresentado pelo MPF é extremamente grave, evidenciando a tentativa de embaraçar a investigação, o que justifica a decretação da preventiva. (..) A influência no depoimento de possíveis testemunhas é fundamento clássico para a prisão preventiva para garantia da instrução criminal", afirma o procurador da República Diogo Castor.
(Atualizada às 18h)


