Farias pede desculpas a segurança
Agência Estado
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Tudo igual no placarLindbergh Farias abraça Jefferson Barbosa, que havia agredido na véspera: Agora levei o troco, diz o segurançaCom hematomas e vergões no lado direito do rosto e pescoço, o segurança da Câmara Jefferson Barbosa - que anteontem levou a pior ao trocar sopapos com o deputado Lindbergh Farias (PSTU-RJ) - está pronto para a revanche. Depois (do fim do mandato de Lindberg), a gente acerta, brincou, ao receber ontem o pedido de desculpas e um abraço do parlamentar. Em brigas, Lindbergh e Barbosa são velhos conhecidos e estão empatados em um a um. Quando ele era líder estudantil, dei uns empurrões nele, contou Barbosa. Ele referia-se às manifestações dos caras-pintadas dentro do Congresso, comandadas por Lindbergh, então presidente da UNE, em 1992, contra a permanência de Fernando Collor na Presidência da República. Agora levei o troco, completou.
Com sua fotografia estampada ontem na primeira página dos jornais, Jefferson Barbosa, há 15 anos na Câmara, não teve sossego para trabalhar: foi entrevistado pelos jornais e emissoras de rádios e televisão. Sem o terno do dia anterior, substituído pelo colete de agente, o segurança deu a receita para ficar famoso: É só apanhar.
Ao ser lembrado que também investiu contra manifestantes, reagiu. Não bati, apenas imobilizei o sujeito. Ele começou a gritar socorro e aí ficou parecendo que estava sem ar, disse, referindo-se à foto em que aparece com o cotovelo na garganta de um manifestante. Apenas cumprimos ordens do presidente da Comissão para segurar o pessoal, mas quando chegou no plenário não deu mais, relatou.
A investigação da Câmara sobre os tumultos durante a votação da reforma Previdência na comissão especial tem poucas chances de terminar em pedido de cassação de mandato parlamentar. A tramitação dos últimos pedidos de cassação por quebra de decoro mostra que a tendência da Câmara é negar ou adiar a análise desses processos.
Classificado pelo corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), como um dos grandes entusiastas da briga de quinta-feira, o deputado Lindbergh Farias (PSTU-RJ) é o primeiro a não acreditar em punição severa. Estou tranquilo, disse. Se não cassaram o Marquinho Chedid (parlamentar envolvido no escândalo do bingo) e nem os acusados de venda de voto, como a Câmara vai cassar um parlamentar que apenas defendeu o povo contra a reforma da Previdência?, questionou.
No relatório preliminar que encaminhou à presidência da Câmara, o corregedor-geral destaca erros na condução dos trabalhos da comissão especial, entregue ao polêmico deputado José Lourenço (PFL-BA). Isso facilita a defesa dos parlamentares envolvidos diretamente nas agressões: eles poderão alegar que tomaram atitudes drásticas porque Lourenço desrespeitou as normas regimentais e as prerrogativas dos parlamentares.
Na próxima semana, Severino Cavalcanti, que requisitou fitas de vídeo das TVs, deve instalar uma comissão para apurar os tumultos - inclusive as brigas em torno do regimento da Casa. (AE)





