Quando a escuridão invade os corredores do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, funcionários e frequentadores do prédio começam a sentir medo. O motivo são as almas que estariam visitando a mais alta Corte de Justiça do País. O medo cresceu com o racionamento de energia, que apagou as luzes do STF mais cedo. Além disso, o edifício sede do STF, inaugurado em abril de 1960, voltou a ser ocupado depois de uma revitalização.
A secretária-geral da Presidência, Guiomar Feitosa de Albuquerque Lima, principal assessora do presidente do STF, Marco Aurélio, é uma das poucas a assumir publicamente que tem receio de se deparar com uma alma penada no final do expediente. ‘‘Há pessoas que viveram aqui no passado, sentaram naquelas cadeiras, será que ainda não estão por aqui, perambulando?’’
Uma das histórias envolve justamente o museu do Tribunal. Corre a história de que uma mulher loura, vestida de branco, circula à noite pelo local. Outra diz que certa vez, um senhor pediu a um policial que o acompanhasse a seu gabinete. Era noite. O policial teria conduzido ao elevador o engravatado, imaginando ser um ministro. Ao virar-se para que o ‘‘ministro’’ entrasse, não havia mais ninguém.
No edifício sede do STF está instalado o plenário do tribunal, onde ocorrem os julgamentos mais importantes da Corte. Há relatos de pessoas que teriam visto à noite no plenário vultos e almas vestindo togas pretas. Seriam almas de ministros que já morreram, foram velados no Supremo, e que à noite realizavam sessões ‘‘do outro mundo’’.
O presidente do STF diz não ter medo das almas. Ele ocupa um gabinete no terceiro andar do edifício sede. Todos os ex-presidentes do STF que despacharam nesse local já morreram. ‘‘Eu, particularmente, acho o astral do prédio maravilhoso’’, encerra.

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