Fantasmas aliados boicotaram votação
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O governo terá muito trabalho para obter amplo apoio de sua base aliada e manter a quebra da estabilidade na reforma administrativa, com votação prevista para a próxima semana. Um dos focos de resistência a esse tema é o grupo dos deputados fantasmas da base. Na quarta-feira passada eles não participaram da votação que levou à primeira derrota do governo na reforma, embora tivessem registrado presença nas portarias da Câmara.
Os fantasmas do plenário foram 31: 22 fazem parte da base governista, mas estavam envolvidos com outras questões num momento crucial para a manutenção do relatório Moreira Franco (PMDB-RJ) ou simplesmente não quiseram dar seu voto em favor do governo. Alguns justificaram dizendo não ter sido avisados da votação. Com isso entraram para a lista de infiéis ao governo oito deputados do PSDB, sete do PMDB, quatro do PFL e três do PPB.
As justificativas que mais desagradaram aos líderes governistas foram as da bancada de Rondônia e da Comissão da Malária, integrada por 16 parlamentares da Amazônia. Na hora da votação, os deputados do PMDB Confúcio Moura e Oscar Andrade, e os tucanos Emerson Olavo Pires, Marinha Raupp e Moisés Bennesby, todos de Rondônia, estavam garantindo no BNDES a liberação de R$ 60 milhões para o governo estadual, acompanhados pelo governador Valdir Raupp.
O deputado Cláudio Chaves (PFL-AM), que nem faz parte da Comissão da Malária, procurou seu líder, deputado Inocêncio Oliveira (PE), minutos depois da encerrada a votação, para explicar sua ausência e dos outros deputados que integraram a comissão naquela tarde para uma audiência ministerial. Inocêncio, desconsolado, perguntou: Malária existe na Amazônia há 497 anos, o que tinha de tão importante hoje para tirar vocês do plenário justamente na hora da votação?
Outro ausente, o deputado Alberto Silva (PMDB-PI) recebe aposentadorias como ex-governador do Estado, ex-professor da Universidade Federal do Ceará e ex-funcionário da RFFSA, sente-se prejudicado com a reforma administrativa e não está disposto a votar contra si. A deputada Alzira Ewerton (PSDB-AM) também foi vista na Câmara, segundo alguns colegas mas não foi votar. Ela negou que estivesse em Brasília, alegando uma forte gripe. Alzira antecipou que é contra a quebra da estabilidade e deverá votar contra o governo nesta questão.
Contra a quebra da estabilidade também estão os deputados Cláudio Chaves, Betinho Rosado (PFL-RN) e Udson Bandeira (PMDB-TO), que também não foram ao plenário da quarta-feira. Um líder do PMDB afirmou que Bandeira se irritou com a falta de atenção do ministro do Planejamento Antônio Kandir, com quem tentava uma audiência. O parlamentar negou que tivesse deixado de votar por esse motivo. Eu estava febril e fui informado de que não havia votação polêmica naquela tarde, aí fui para casa, justificou. Se contasse com mais dez votos, o governo não teria sido derrotado.


