'Fantasma' tinha até três salários
Curitiba - Embora o Gaeco tenha calculado prejuízos de cerca de R$ 13 milhões aos cofres da AL, em relação ao esquema construído em torno da família de Daor, os promotores de Justiça que assinam a denúncia protocolada ontem sustentam que o valor desviado é maior. É que os comissionados ''fantasmas'' teriam até três versões de seus próprios nomes na folha de pagamento da Casa.
Um dos filhos de Daor, por exemplo, se chama Luiz Alonso Luccas de Oliveira. Mas, na folha de pagamento, constam os nomes ''Luiz Alonso'' e ''Luiz Alonso de Oliveira''. Clori Maria de Oliveira, que é irmã de Daor, tinha duas versões do seu nome na folha de pagamento: seu nome de solteira e seu nome de casada. ''A mesma pessoa figurava na folha de pagamento duas, três vezes'', disse a promotora de Justiça Marla de Freitas Blanchet.
As investigação do Gaeco também apontam para o uso de uma única matrícula por mais de uma pessoa. Ou seja, o esquema usaria a mesma matrícula e só trocaria o beneficiário. ''A matrícula continuava ativa. A exoneração não acontecia'', continuou ela.
O promotor de Justiça Denilson Soares também reforçou que o valor de cerca de R$ 13 milhões poderia ser ainda maior porque as conexões entre os servidores ''fantasmas'' não teriam sido totalmente reveladas. ''O esquema começava com familiares mais próximos e depois se estendia para pessoas que talvez nem tenham o mesmo sobrenome'', explica.
Um outro núcleo de investigação do Gaeco, que aponta a contratação pela AL de familiares de Douglas Bastos Pequeno, contador de Abib Miguel, também deve ser alvo de denúncia em breve.
Outras investigações sobre esquemas semelhantes também estariam em andamento, mas o Gaeco não revela nomes de outros envolvidos. Na casa do ex-diretor de pessoal da AL Cláudio Marques da Silva foram apreendidas anotações com nomes de servidores da AL, números de matrículas e de contas bancárias. Segundo o Gaeco, ele não teria dado uma explicação convincente sobre por que mantinha aquelas anotações em sua própria residência.
O promotor de Justiça também disse que, até agora, não se chegou à obtenção de provas contra deputados estaduais. ''Não está afastada a participação de outras pessoas, inclusive de parlamentares. Mas, atualmente, não temos provas concretas da participação direta da Mesa ou de parlamentares. Mas as apreensões são grandes e o material ainda não foi totalmente analisado'', disse. De qualquer forma, o Gaeco não teria prerrogativa para atuar contra os deputados, que ficariam alvos, no caso, da Procuradoria Geral de Justiça.
A quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos, já autorizada pelo Judiciário, também pode indicar, segundo Soares, ''mais beneficiários do esquema''. (C.S.)





