Famosos até sonham com cargos públicos
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sábado, 11 de outubro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A Califórnia tem o Exterminador do Futuro. Os paulistanos por pouco perderam a Garota de Ipanema. Helô Pinheiro preferiu deixar para as eleições de 2006 uma possível candidatura. Tudo bem, vão sobrar famosos arriscando a sorte na política no ano que vem.
''Quero ser o Arnold Schwarzenegger daqui, mas sem passar a mão nas mulheres!'', proclama o apresentador Milton Neves, filiado ao PL no penúltimo dia de prazo legal para quem vai disputar uma vaga no próximo pleito. Ele faz mistério sobre uma candidatura à sucessão da prefeita Marta Suplicy, só jura que não quer ser vereador.
Mas os partidos disputaram a tapa filiações de gente conhecida do público que quisesse. São potenciais puxadores de voto. Entre outros, podem ser candidatos a uma cadeira na Câmara Municipal o radialista Eli Corrêa (PFL), a apresentadora da Soninha (PT) e uma coleção de esportistas, principalmente ex-jogadores de futebol e vôlei.
Estão na lista os medalhistas olímpicos do vôlei Pampa (PT) e Domingos Maracanã (PPS) e do judô, Aurélio Miguel (PSDB). O ídolo alviverde Ademir da Guia será candidato pelo PC do B.
O PTB está perto de montar um time. Trouxe o ex-corintiano Dinei; o maior artilheiro da história do São Paulo, Serginho Chulapa; Pepe, o ''canhão da Vila'' Belmiro; Dino Sani, campeão do mundo em 1958 e os ex-técnicos Rubens Minelli e Mário Travaglini. Os petebistas ainda filiaram o cestinha Oscar Schmidt, veterano de uma campanha para o Senado no antigo PPB. Alguns parlamentares do PTB gostariam de vê-lo candidato a prefeito, mas ele se recusa a falar sobre as eleições.
''Então só porque tem alguma outra profissão não pode entrar na política? Assim tem que ficar o Maluf a vida toda! Todo brasileiro, seja qual for o segmento que atua, deve tentar participar e alterar a vida da política brasileira. Não basta meter o pau, tem que fazer alguma coisa'', alega Milton Neves. ''O rádio é um porta-voz das necessidades da população e, com um mandato, seria possível buscar soluções'', diz Eli Corrêa. Eli ainda estuda como conciliar o trabalho no rádio com a política, por isso sustenta que só vai definir sua candidatura em 2004.
É fato que todas as candidaturas têm de passar pelas regras internas de cada partido e dependem do aval de convenções, mas a maioria das celebridades se filiou contando com a hipótese de disputar a eleição. Dinei já fala como candidato: ''Não quero prometer nada. O povo está cansado de ouvir promessas sem que elas sejam cumpridas. Meu esforço será tirar as crianças da rua, das drogas.'' Pego em 1995 no antidoping por uso de cocaína, submeteu-se à desintoxicação.
''Ainda não sei o que vai acontecer, mas estou ganhando votos desde já'', comemora o ''Divino'' Ademir da Guia, que chegou ao PC do B a convite do amigo Aldo Rebelo, líder do governo na Câmara. ''As pessoas me param na rua e brincam comigo, perguntando como eu fui para o vermelho depois de tantos anos defendendo o verde.''
A candidatura de Soninha é um sonho ''desde a época de colégio''. Agora, diz ela, ''chegou o momento de participar''. Saúde e transporte estão entre suas prioridades. ''Ando sempre de ônibus e faço questão de usar os postos de saúde. O atendimento ao cidadão ainda tem de melhorar muito.'' O trabalho na área social é destaque nas plataformas de campanha de todos os famosos entrevistados. ''Quero passar um pouco da minha experiência. Falta alguém para fazer diferente, valorizar os esportes com menor destaque além de promover a inclusão social através deles'', conta Domingos Maracanã.
André Felipe Ferreira, o Pampa, já tem uma breve história nos dois ''extremos ideológicos'' da política nacional. Teve 32 mil votos como candidato a deputado federal pelo PFL no ano passado. Transferiu-se para o PT no começo do mês. ''Minha ideologia é fazer meu trabalho, ajudar as pessoas. E os votos que consegui, independiam do partido.'' Pampa está estudando o estatuto petista, e chegou ao partido depois de participar de campanhas do Fome Zero como prestador de serviços do Banco do Brasil. O atleta conta que foi assediado por vários partidos. ''Ninguém é inocente de se deixar ser usado. É claro que os partidos querem puxadores de voto, mas você precisa ter mais do que imagem para ser eleito. Precisa mostrar conteúdo.'' Começa no dia 6 de julho de 2004 a chance dos famosos mostrarem a que vieram na política.


