São Paulo Depois de críticas, aplausos e muita polêmica, o Fome Zero começa na prática amanhã. As famílias selecionadas para o programa em Guaribas e Acauã, as duas cidades do Piauí onde foi implantado o projeto piloto, vão começar a receber o Cartão-Alimentação, que dará direito a sacar R$ 50 por mês. O dinheiro só poderá ser gasto com alimentos.
Em cada cidade, 500 famílias vão receber o cartão que será distribuído em um posto móvel da Caixa Econômica Federal além de uma senha. Os cartões serão distribuídos até 11 de março, dependendo do número de identificação que os beneficiários receberam. O saque será imediato.
Amanhã, os Comitês Gestores das duas cidades deverão realizar uma reunião com as famílias que serão atendidas para tirar dúvidas e explicar como poderão gastar o dinheiro (estão proibidos cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes). O Cartão-Alimentação é a primeira ação emergencial do Fome Zero.
Fiscais e auditores da Controladoria Geral da União estão fazendo uma devassa nos municípios onde o programa será implantado. O objetivo é verificar se ocorreram desvios.
Além de Guaribas e Acauã, os técnicos também foram a Cristino Castro, ao lado de Guaribas, e Itinga, no Vale do Jequitinhonha (MG). Em um segundo momento, o programa deverá ser ampliado para mil cidades, que devem também devem ser auditadas, de acordo com as possibilidades. ''Fome Zero, corrupção zero'', diz o ministro-chefe da Controladoria, Waldir Pires.
Para cada cidade, foi enviada uma equipe com dez técnicos, que foi reforçada com técnicos das bases regionais da controladoria. Os fiscais devem terminar a auditoria na semana que vem e apresentar as conclusões em duas semanas. ''É clara, em nosso país, a associação entre a questão da fome e os fenômenos sociais, políticos e administrativos da corrupção'', diz Pires.
Em Guaribas, o prefeito Reginaldo Correia (PL) foi cassado por improbidade e se mantém no cargo graças a um embargo que ainda não foi julgado. Ele é acusado de desvio de verbas e de ter ''arrendado'' a prefeitura para um secretário. O prefeito nega as acusações.

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