Familiares afirmam que mortes foram acidentais
Vânia Moreira
De Umuarama
Familiares e autoridades ligadas ao caso dos delegados e do escrivão mortos dia 6 de maio do ano passado em Umuarama não acreditam que o acidente tenha alguma relação com o tráfico de drogas ou o crime organizado hipótese foi levantada pelo deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT), suplente da CPI do Narcotráfico. Padre Roque solicitou à comissão que apure as mortes. O delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Edson José de Camargo Barros, o delegado adjunto José Leme Pereira e o escrivão Carlos Roberto Melo morreram num acidente na BR-272, entre Francisco Alves e Terra Roxa, quando voltavam de Guaíra.
Ao contrário do que informou o deputado, a equipe não tinha ido à Guaíra ouvir um traficante e sim, o delegado aposentado Iran Misael num processo administrativo. Segundo o delegado de Terra Roxa, Pedro Lucena, os três integravam uma comissão que apurava uma falta disciplinar de um policial civil. Lucena não informou quem estava sendo investigado, nem qual a falta cometida. Não lembro do caso, alegou.
O inquérito diz que a rodovia estava em péssimo estado de conservação e havia um buraco perto do local do acidente, mas pode não ter sido este o motivo. Pode ser que o motorista da carreta tenha dormido ao volante, disse o delegado que presidiu o inquérito. O Santana dirigido pelo escrivão Melo estaria em alta velocidade, mas o acidente foi provocado pela carreta que saiu da pista. Lucena não tem conhecimento de que os delegados estivessem investigando narcotraficantes na região e não acredita que o acidente tenha sido provocado. É o tipo de acidente que poderia ter acontecido com qualquer pessoa. A ação penal está tramitando no Fórum de Terra Roxa.
A viúva do delegado José Leme Pereira, a professora Maria Clementina França Leme Pereira disse que ficou chocada com a possível ligação do acidente com o trafico de drogas. Ninguém nunca levantou a possibilidade de não ter sido um acidente e não há nada que nos leve a desconfiar disso, comentou. Segundo Clementina, o marido nunca comentou nada sobre investigações envolvendo tráfico de drogas ou ameaças. Leme Pereira tinha dois filhos, Paula Martina (7 anos) e Cássio Felipe (5 anos). Nós estamos tentando nos recuperar da tragédia e estas especulações só aumentam nosso sofrimento, reclamou Clementina.
Escrivã de polícia em Cruzeiro do Oeste (29 quilômetros a leste de Umuarama), a viúva do escrivão Melo, Helena Melo, também se diz surpresa com a suspeita levantada pelo deputado petista. Nunca duvidei de que foi um acidente trágico, mas nenhuma hipótese pode ser descartada. Se há essa suspeita, então que seja investigada, defendeu. Helena trabalhava junto com o marido na delegacia de Umuarama. Depois do acidente, pediu transferência para a delegacia de Cruzeiro do Oeste, onde mora a família dela. O casal tinha três filhos. A caçula estava com dois meses de idade quando o pai morreu. Edson Barros e Leme Pereira eram do interior paulista. A viúva de Barros se mudou para Goioerê.
Depois da morte dos delegados, houve uma verdadeira dança das cadeiras para preencher os cargos vagos na 7ª SDP, que tem quatro delegados e jurisdição sobre 17 delegacias da região. Empossado no cargo de delegado-chefe dez dias depois do acidente, José Carlos Garcia Almeida, que estava em Paranavaí, ficou apenas uma semana. Foi substituído, sem maiores explicações, pelo delegado de primeira classe, Silvan Rodney Pereira, de Curitiba, que está no cargo até hoje. Pereira foi indicado, junto com outros três nomes, pelo deputado estadual Nelson Garcia (PFL) que detém o mando político na região.





