Família rebate acusações contra Khury
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de maio de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
A família do presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Anibal Khury, classificou de injustas as denúncias do suposto envolvimento dele com o desmanche de veículos e o crime organizado. As denúncias estão sendo investigadas pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Curitiba. Ele morreu em agosto do ano passado.
Ontem, a mulher do deputado, Niva Khury, disse à Folha que não se pode atacar a memória de alguém que ajudou a construir o Paraná. Ela acrescentou ainda considerar uma injustiça acusarem seu marido após a sua morte. Niva disse que o advogado da família deve se posicionar em relação às investigações.
É temerário envolver o nome do deputado com base apenas nas declarações de criminosos, acrescentou o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nelson Justus (PTB).
Para ele, as denúncias contra Anibal Khury causam desgosto e desapontamento. Infelizmente estamos vivendo um momento de denuncismo, que atingiu uma pessoa que prestou tantos serviços ao Estado, enfatizou.
Anteontem, o promotor da PIC, Vani Bueno, disse à Folha que é possível estabelecer uma conexão entre Anibal Khury e os desmanches. Já está patenteada a relação do deputado Anibal Khury com os donos de desmanches. Ele recebia dinheiro dos proprietários de desmanches, afirmou.
As investigações da promotoria iniciaram com a prisão de Joarez França Costa, o Caboclinho, acusado de receptação e venda de veículos roubados. Na casa de Caboclinho, teriam sido encontradas fotografias com políticos e amigos, além de cadernos com os nomes de pessoas beneficiadas com doações de recursos obtidos com o roubo de carros e lavagem de dinheiro. Em uma das fotos, Khury aparece junto com o acusado. Em outra, está ao lado de Antonio Luiz da Silva, o Zóio, acusado de ser pistoleiro e aterrorizar o município de Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba.
A promotoria encontrou ainda uma terceira fotografia, com uma frota de veículos que teria sido doada pelo dono de desmanches de carros, Paulo Mandelli, para a campanha de Anibal Khury à Assembléia, em 98. Na ocasião, ele foi o mais votado do Paraná, com 108,5 mil votos.
O nome do ex-presidente da Assembléia também foi citado durante os depoimentos colhidos pela subcomissão da CPI Nacional do Narcotráfico em Foz do Iguaçu. O investigador Paulo Roberto de Oliveira acusou o deputado e também o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, de receberem propinas de delegacias da região Oeste. Para manter um delegado em Foz do Iguaçu, Khury teria recebido de acordo com as denúncias US$ 50 mil.
No entanto, nas investigações da CPI do Narcotráfico na Assembléia Legislativa, nenhum acusação recai sobre o deputado. O presidente da CPI, Algaci Túlio (PTB), disse que, até o momento, a comissão não descobriu nada que desabonasse o nome do presidente da Casa. Túlio não quis comentar as investigações da PIC. Não seria ético da minha parte me pronunciar sobre as investigações da promotoria, ao mesmo tempo que tenho que investigar o narcotráfico no Estado, declarou. Ele acredita que a mesa da Assembléia se manifeste sobre o assunto na sessão de hoje.


