Família Petrelli mantém silêncio sobre assunto
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
A família do empresário paranaense Mário Petrelli um dos responsáveis regionais pela arrecadação de fundos para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso preferiu manter silêncio ontem sobre a existência de um caixa 2 da campanha. Petrelli é acusado de ter desviado R$ 350 mil para um fundo paralelo do comitê de FHC, o que representa 10% do total de R$ 3,5 milhões que foram arrecadados com doações oficiais.
Petrelli passou parte do dia de ontem em Joinville, segundo informou sua secretária na Rede SBT de Florianópolis, de propriedade da família. A Folha deixou vários recados no escritório e telefone celular de Petrelli, mas não obteve retorno. Uma pessoa que se identificou como motorista de Petrelli chegou a atender um dos telefonemas, mas informou que ele estava num outro carro, seguindo em direção de Florianópolis.
Em Curitiba, a opção também foi pelo silêncio. Leonardo Petrelli disse que não iria comentar o assunto. Pela sua assessoria ele afirmou que o caso diz respeito apenas a seu pai. Leonardo é diretor-presidente da Direct to Company (DTCom), empresa que teve como sócio o coordenador-geral da campanha de FHC, Eduardo Jorge. A DTCom foi inaugurada na última sexta-feira.
Há cerca de dois meses, o Ministério Público de Federal, em Brasília, recebeu denúncia de que a DTCom estava prestes a ganhar uma licitação pública de cartas marcadas para fornecer cursos à distância para a Caixa Econômica Federal. O negócio estaria sendo articulado por Eduardo Jorge. Petrelli negou qualquer irregularidade e garantiu que nunca a DTCom ganhou um contrato de prestação de serviço com a Caixa Econômica. Ele disse ainda que Eduardo Jorge não chegou a integralizar o capital para se tornar sócio da DTCom, apesar de seu nome aparecer na documentação encaminhada à Junta Comercial do Paraná.
Na relação de doadores para a campanha de FHC, a DTCom aparece com uma contribuição de R$ 200 mil. Na época, Mário Petrelli era o encarregado de engariar recursos para financiar a reeleição. A função foi dada a ele por Eduardo Jorge. Considerado um lobista dentro do PFL, Mário Petrelli trabalha nos bastidores da política paranaense há vários anos. Muito amigo do senador Jorge Borhausen (PFL), Petrelli tem a concessão do SBT em Florianópolis e Joinville, e da Record, em Curitiba, com a Rede Independência. Ele também é acionista do Grupo Icatu, composto de empresas que financiaram a campanha de FHC.


