Família passa por dificuldades financeiras
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terça-feira, 29 de maio de 2001
De Curitiba 
O ex-sargento Jorge Luis Martins diz sua situação no banco mudou quando o extinto Banco Bamerindus passou para o controle do banco inglês HSBC (Hong Kong Shangai Bank Corporation). Quando o Bamerindus passou para o controle do HSBC, em abril de 1997, a nova diretoria quis me registrar em carteira com o conhecimento dos coronéis. Quando fui pedir os meus direitos pelos três anos que trabalhei sem registro (1994-97), fui demitido, diz Martins.
Martins foi policial durante 23 anos. Nesse tempo, afirma que nunca respondeu a qualquer processo. Durante a mudança de controle do banco, o ex-sargento lembra que o seu setor estava para ser fechado. A vinda de Lewis Keith, o militar americano, foi decisiva para manter a estrutura de inteligência na ativa. Ele gostou do serviço e criou um departamento de segurança.
Para mantê-lo como funcionário, Martins conta que o banco repassava mensalmente cerca de R$ 15 mil à Polícia Militar. Martins diz que a Polícia Civil recebia outros R$ 5,5 mil. Segundo ele, o dinheiro também garantia uma presença ostensiva de viaturas policiais em frente às agências, principalmente, em dias de grande movimentação bancária. A relação era tão próxima, segundo ele, que o banco também financiava festas de fim de ano organizadas por policiais.
Desempregado, o ex-sargento está morando com a mulher e os filhos na casa de sua mãe num bairro da periferia de Curitiba. Desde que passou a receber apenas metade do salário, ele afirma que não conseguiu pagar as contas de casa e foi obrigado a se mudar para não ficar na rua. No processo aberto para ser reintegrado aos quadros da PM, Martins relata que outros policiais presos por fazerem bicos nas horas de folga não receberam mais do que uma semana de cadeia no quartel.
Por que só eu tive que ser expulso?, indaga Martins. Ele mesmo responde: A PM quis ajudar o banco por causa da minha reclamatória trabalhista. (D.V.)


