Agência Estado
De Rio Branco
Três testemunhas indiretas de acusação – que também são réus – nos assassinatos do policial civil Jonaldo Martins e do mecânico Agílson Santos Firmino, o Baiano (dois dos quatro homicídios atribuídos ao grupo de extermínio supostamente liderado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal), foram ameaçadas durante o vôo entre Brasília e a capital do Estado, segundo o Ministério Público Estadual.
De acordo com o procurador Eliseu Buchemeier, o assaltante Francisco França de Freitas, o Del, teria sido diretamente ameaçado por ‘‘membros da família Pascoal’’. Diante da ameaça, as outras duas testemunhas, o soldado da Polícia Militar (PM) Marcos Figueiredo Gonçalves e José Alves da Costa, o Zé Eloi, ‘‘sentiram-se intimidados’’.
Eles, que estão presos em Brasília, foram trazidos para o Acre domingo, no avião Hécurles C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB). Nesse mesmo vôo vieram também Pascoal e três de seus nove irmãos, Pedro e Sete. Buchemeier afirmou ontem que os três detentos vieram algemados uns aos outros e teriam ficado ao lado de Pascoal. ‘‘Isso foi um absurdo, tanto que eles disseram em juízo que não iriam mais depor, pois estavam amedrontados’’, afirmou.
Na terça-feira, Del assumiu a autoria do crime de Jonaldo, morto em novembro de 1998. O motivo teria sido uma briga entre os dois, quando o suposto assassino teria levado uma surra da vítima. ‘‘Em cara de homem não se bate’’, afirmou Del, em depoimento à 2ª Vara do Tribunal do Júri. Essa declaração beneficiaria diretamente Pascoal que, segundo o Ministério Público Estadual, seria o mandante do crime por vingança.
Buchemeier disse ter conversado com o superintendente da Polícia Federal no Acre, Glorivan Bernardes, sobre o problema. Bernardes foi procurado ontem pela reportagem, mas não foi localizado. O advogado de Pascoal, Oscar Luchesi, afirmou que não houve ameaça ou intimidação alguma. ‘‘Os presos são proibidos de falar e até de olhar para o lado, como pode ter havido ameaça ou intimidação?’’, reagiu. Ele disse que a Justiça negou qualquer relato nesse sentido.
Procuradores do Ministério Público Federal confirmaram, em conversas reservadas, que o problema ocorreu. O ex-presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Gercino José da Silva, confirmou, em depoimento na Justiça Federal, que Pascoal foi apontado como chefe dos grupos de extermínios montados com policiais militares e civis no Acre. Uma das denúncias foi feita pelo policial civil Walter Ayala, morto em 1997.
Ayala era testemunha do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça e ia depor sobre as atividades do grupo no Acre. De acordo com Gercino, Pascoal comandava o grupo integrado por policiais militares e assumiu o comando do esquadrão formado por civis após prisão de um de seus líderes, Sear Jasub Barros da Silveira.

mockup