Família Maluf sofre devassa bancária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Fausto Macedo<BR>Agência Estado 
A Justiça Federal decretou ontem a quebra do sigilo bancário do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) em todo o território nacional. A decisão foi tomada pelo juiz Fernando Moreira Gonçalves, da 8 Vara Criminal Federal, que acolheu pedido da Procuradoria da República. O juiz também autorizou a devassa bancária de familiares de Maluf da mulher, Sylvia, dos quatro filhos (Flávio, Otávio, Lina e Lígia) e de uma nora, Jacquelline.
Gonçalves determinou, ainda, a expedição de ofício ao Citibank para que informe se Maluf e seus familiares contrataram serviços do Citibank/Cititrust ou adquiriram produtos da instituição visando aplicação ou investimento de recursos no exterior através de alguma offshore operação com paraíso fiscal reconhecida pelo governo brasileiro.
O Ministério Público Federal pediu acesso aos dados confidenciais do ex-prefeito para tentar rastrear os caminhos do dinheiro que Maluf manteve durante 12 anos no Citibank de Genebra, na Suíça. Em janeiro de 1997, Maluf transferiu os ativos para o Citibank da Ilha de Jersey, paraíso fiscal no Canal da Mancha.
Os procuradores da República Pedro Barbosa Pereira Neto e Denise Neves Abade, que investigam a conta Jersey, suspeitam que Maluf teria enviado para o exterior recursos desviados por meio de fraude na emissão de Letras Financeiras do Tesouro Municipal para pagamento de precatórios judiciais entre os anos de 1994 e 1995 na época, Maluf era prefeito de São Paulo. O rombo nos cofres públicos teria somado US$ 600 milhões.
O juiz federal Fernando Gonçalves solicita ainda ao Ministério da Justiça o estabelecimento de ''formal cooperação judicial com a autoridade suíça competente''. O magistrado também acolheu o pedido da Procuradoria da República para solicitar ao Ministério da Justiça cooperação judicial com as autoridades do Reino Unido para que sejam obtidos a imobilização dos bens e valores existentes em nome de Maluf e seus familiares ''a fim de evitar que os recursos desviados dos cofres públicos brasileiros sejam dilapidados ou desviados para nomes e contas de outras pessoas, situação que impediria a restituição dos mesmos ao erário''.
Maluf já está com sigilo quebrado mas apenas com relação a investimentos no exterior por decisão do juiz corregedor Maurício Lemos Porto Alves. O juiz corregedor também já ordenou a quebra do sigilo telefônico e fiscal do ex-prefeito. Maluf nega possuir ativos em Jersey ou ''em qualquer outro paraíso do planeta''.
Ontem, o ex-prefeito divulgou nota em que reafirma: ''Paulo Maluf reitera mais uma vez que nem ele ou familiares tem ou tiveram contas bancárias ou investimentos em qualquer lugar do exterior. Tanto é assim que depois de três meses que as primeiras falsas notícias sobre isso foram divulgadas, ninguém conseguiu provar nada sobre o assunto, simplesmente porque nada existe para provar sobre aquilo de que ele e parentes são criminosamente acusados.''


