Família engrossa batalhão de mesários
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sábado, 02 de outubro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Para uma família de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) votar não é o bastante. Os Silva Semprebom, que não foram convocados pela Justiça Eleitoral para trabalhar como mesários, decidiram se candidatar voluntariamente para trabalhar neste domingo. Pai, mãe e duas filhas e o namorado de uma delas - vão passar o dia orientando alguns dos 32.829 eleitores do município. Madrugar para chegar na seção às 7 horas, deixar o almoço em casa, perder o descanço,... tudo isso foi colocado de lado pelo propósito de poderem contribuir com alguma coisa a mais.
O patriarca da família, o economista Mauro Semprebom, 54 anos, conta que já trabalhou como mesário há muitos anos, no tempo que o eleitor tinha que escrever o nome do candidato em cédula de papel. Era tudo muito mais complicado, recorda. Depois, com a candidatura de familiares em eleições passadas, ficou de fora do trabalho nas seções. Agora, ele a esposa, a funcionária pública municipal Fátima Silva Semprebom, 46 anos, se inscreveram como voluntários e foram chamados. Vão trabalhar juntos em uma seção instalada na Biblioteca Pública. É mais uma forma de participar, dando essa colaboração importante para a Justiça. Também é uma forma de fazer alguma coisa a mais pela nossa cidade, argumenta o casal.
Já a filha Chiara Silva Semprebom, 20 anos, se juntou meio por acaso aos 352 mesários convocados em Ibiporã. Ela se candidatou para substituir uma amiga dispensada por motivo de saúde e foi chamada pela Justiça Eleitoral. Se ficou chateada? De forma alguma. Gosto de política, resume. Como vai substituir outra pessoa, Chiara não irá trabalhar na mesma seção em que vota. Vou ter que usar uns minutinhos da hora do almoço para conseguir votar, diz. O único problema vai ser se separar do namorado Vanderson Batista Pinheiro, 26 anos, que também é mesário mas em outra seção. Ele foi convocado pela segunda vez e garante que não é nenhum sacrifício. Pelo contrário. Eu estou contente e apreensivo, mas não tem nenhuma complicação. O dia passa rápido, observa.
A caçula da família, a auxiliar de escritório Giovana Silva Semprebom, 18 anos, estréia nas urnas e como mesária. Apenas ela foi convocada oficialmente pela Justiça Eleitoral e confessa que tomou um susto quando recebeu a correspondência. Nem acreditei que teria que trabalhar. Meus amigos acharam legal só ficaram falando que enquanto estivessem passeando eu iria ficar trancada dentro de uma sala, aponta. Mesmo assim, ela garante que está pronta para ajudar neste e em outras eleições.
A família se orgulha tanto da função que todos recusaram o descanso de dois dias que a lei garante para quem colabora nos pleitos eleitorais. O único da família que não deve ter gostado nada dessa história toda deve ter sido o único filho homem, Enzo Silva Semprebom, de 22 anos, que não foi convocado nem se inscreveu para trabalhar. A mãe já avisou que ele terá que se virar com o almoço.


